O Ministério Público (MP) denunciou à Justiça os seis policiais militares envolvidos na morte do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos. Ele era suspeito de ter roubado uma moto e foi abordado pelos policiais em sua casa, no Mary Dota. De acordo com informações da promotoria, os policiais foram denunciados por homicídio doloso qualificado e tortura. O MP também enviou para a apreciação do juiz Benedito Antônio Okuno, da 1.ª Vara Criminal, pedido de prisão preventiva dos seis policiais. O juiz deverá se manifestar hoje sobre a prisão dos envolvidos, uma vez que o período de prisão temporária deles se encerrará no domingo.
Os policiais militares tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, 31 anos, cabo Gérson Gonzaga da Silva, 42 anos, soldados Emerson Ferreira, 35 anos, Ricardo Ottaviani, 34 anos, Maurício Augusto Delasta, 33 anos e Juliano Arcângelo Bonini, 34 anos, estão presos na Capital desde o dia da morte do adolescente, 15 de dezembro, com prisão temporária decretada até domingo.
Ontem, o promotor Djalma Cunha Marinho Filho, da 1.ª Vara Criminal, ofereceu a denúncia contra os policiais. Ele também pediu a prisão preventiva dos envolvidos. Caso o juiz indefira a solicitação, os policiais poderão ser postos em liberdade na segunda-feira. Se Okuno conceder a prisão preventiva, eles permanecerão presos na Capital.
André Veloso, advogado que representa a família do adolescente, afirmou que deverá se habilitar como assistente de acusação, para auxiliar o Ministério Público. Ele avalia que se a denúncia fosse baseada somente em tortura seguida de morte, o andamento do processo seria mais rápido. Como foi oferecida também a denúncia de homicídio doloso, o caso pode ser levado a júri popular, o que pode prolongar o processo.
Evandro Dias Joaquim, que defende o tenente Roger, informa que ainda não teve acesso à denúncia oferecida pelo MP e só irá se manifestar quando tomar conhecimento do processo.
O advogado Sérgio Mangialardo, que representa o cabo Gérson Gonzaga da Silva, 42 anos e os soldados Ricardo Ottaviani, 34 anos, Maurício Augusto Delasta, 33 anos e Juliano Arcângelo Bonini, 34 anos, informa que também irá tomar conhecimento do teor da denúncia para estudar as providências. “Se for decretada a prisão preventiva, deveremos entrar com o pedido de liberdade provisória”, informa.
Ele também destaca que irá solicitar ao juiz a produção de outras provas. “Vamos insistir em todas as provas, principalmente na exumação”, destaca.
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Depoimento de administrativo é adiado
Os seis policiais envolvidos na morte do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, no último dia 15 de dezembro, no Núcleo Mary Dota, também respondem processo administrativo. Os soldados e o cabo já prestaram seus depoimentos, no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital, onde estão presos desde a morte do garoto. Já o tenente Roger, por ser oficial, deverá responder procedimento separadamente.
O depoimento da família de Rodrigues Júnior estava agendado para a manhã de ontem, no 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), mas foi remarcado para a semana que vem. De acordo com informação da Sala de Imprensa da Polícia Militar, da Secretaria de Segurança Pública, os depoimentos foram remarcados para os dias 24 e 25 de janeiro, nos mesmos horários. A PM informou que o motivo do adiamento foi a ausência do advogado de um dos acusados.
O processo administrativo apura se a conduta individual de cada envolvido revela incompatibilidade com a função policial. Os processos administrativos da PM resultam em pena que vai desde a uma simples advertência à demissão do policial.