10 de julho de 2026
Cultura

Um inquietante Van Gogh

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 3 min

Timóteo e Van Gogh. O primeiro é um jovem contemporâneo, o segundo um dos maiores expoentes da arte pictórica mundial. De Timóteo você nunca ouviu falar; de Van Gogh, certamente, caso se interesse por arte ou simplesmente talvez tenha se lembrado: “Ah! É aquele artista meio maluco que cortou a orelha”. Timóteo pode ser qualquer um, Van Gogh pode influenciar a todos. Os dois são próximos, apesar de distantes no tempo, porque são as duas faces interpretadas por Bruno Gagliasso na peça “Um Certo Van Gogh” que está em cartaz hoje e amanhã no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves.

João Fonseca, diretor da montagem, explica que a idéia é falar em dois tempos e por meio de duas histórias sobre a arte, a busca das sensações abstratas e geniais e a vida de Vincent Van Gogh, pintor holandês que revolucionou o pós-impressionismo e o expressionismo do século 19 e as escolas modernistas. “São duas histórias, uma atual em que Timóteo, um jovem, se descobre ‘próximo’ a Van Gogh e sua visão de arte e mundo. A segunda traz as memórias do próprio pintor e sua visão luminosa da realidade, além de seus tormentos pessoais”, completa.

Ao contrário de tantas outras obras sobre a vida de Van Gogh o projeto encabeçado por Gagliasso e tornado encenação pelas mãos da roteirista Daniela Pereira de Carvalho se apega não somente ao lado atormentado que deu fim a vida do artista. Cabe a “Um certo Van Gogh” a investigação das várias facetas do gênio criativo das pinceladas rápidas e amarelecidas, suas inquietações e seu nomadismo.

O público pode esperar do elenco - Bruno Gagliasso, Marcelo Valle, Larissa Bracher e Pedro Garcia (que é de família bauruense) - uma trama envolvente, emocionante e divertida, que passeia no tempo. Garante ainda o diretor que a forma do texto, bem como o cenário, figurinos e iluminação trarão aos sentidos do espectador as características das épocas e a referências que as unem, afinal Van Gogh estava além de seu tempo. Também na peça, o cuidado de levar o público a vivenciar uma experiência não racional a partir da paleta de cores vangoguianas.

A edição de amanhã do JC Cultura traz uma entrevista com o ator Bruno Gagliasso.

• Serviço

“Um Certo Van Gogh” em cartaz no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, hoje às 21h e amanhã às 20h. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira), R$ 30,00 (com bônus veiculado no JC) e R$ 20,00 (meia-entrada válida para estudantes, pessoas acima de 60 anos e professores da rede pública de ensino). O Teatro Municipal fica na avenida Nações Unidas, 8-9. Mais informações: (14) 3235-1072 e 3018-5091 ou através do site www.meuingresso.com.

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Mais que arte

Vincent Van Gogh (1953-1980) foi um pintor holandês incompreendido em sua época, tanto que durante toda sua vida vendeu apenas um quadro “A vinha encarnada”. Sua fama cresceu após sua morte, com uma mostra na cidade de Paris em 1901. Suas pinturas trazem cenas cotidianas e bucólicas além de retratos e auto-retratos. “A noite estrelada” (1889), “Auto-retrato com a orelha cortada” (1889) e a série “Os girassóis” (1888-1889) são algumas de suas obras mais celebradas.

Van Gogh influenciou os movimentos modernos como o abstracionismo e o fauvismo além do expressionismo que parcialmente adotou. Suas pinturas cheias de sensações abstratas buscavam por meio do pontilhismo e, posteriormente, pinceladas vigorosas e rápidas, retratar mais do que a visão racional podia captar.

Nômade, passou por diversas cidades francesas e trabalhou em atividades que vão das vendas à pregação religiosa. Acredita-se que tenha sofrido de depressão e loucura, chegando a cortar uma de suas orelhas – ou teria sido o pintor Paul Gauguin, seu amigo, durante uma briga? - e morreu após atirar em seu próprio peito.

Entre tantas obras contemporâneas sobre sua persona, destacam-se os filmes “Vincent & Theo” de Robert Altman e “Sede de viver” de Vincente Minelli. Além disso, Van Gogh influenciou obras como o questionador “Sonhos” do cineasta japonês Akira Kurosawa.