08 de julho de 2026
Geral

Apaixonados comemoram dia do Fusca

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 3 min

Paixão, segundo seu radical latino, pode ser entendida como experimentar. E, certo em grande parte das vezes, é que quem experimenta dirigir um Fusca pode se tornar um aficionado pelo “besouro” alemão. Hoje, esse simpático carrinho comemora seu dia, nada mais justo. O Fusca nasceu na década de 30 para ser um veículo acessível às famílias do povo e acabou, até, ganhando versões para a guerra mundial que seguia. O “besouro” desembarcou no Brasil no final dos anos 50 e hoje em dia ainda circula, em forma de raridade ou em versões mais atuais, pelas ruas.

O público que deseja ter um fusquinha na garagem pode ser de dois tipos: o colecionador ou o que deseja um carro robusto e com baixo custo tanto na compra quanto na manutenção. O vendedor Alex Marques conta que no estacionamento onde trabalha o giro desse ícone automotivo é alto. “O Fusca demora de uma a duas semanas para ser vendido. A manutenção é barata e é comum a gente ver mulheres comprando por ser um carro de pedais e direção leves e pequeno”, explica.

Alex também afirma que os modelos mais comuns para a venda são os produzidos entre 1975 e 1980 e na maioria originais. “Um Fusca em bom estado varia de R$ 2,5 mil a R$ 3,5 mil, mas já apareceu um exemplar 1975/76 por mais ou menos R$ 5 mil”. Na contramão dos Fuscas “comuns”, os de colecionador como o empresário José Carlos Landro, podem valer até R$ 60 mil.

Landro é mais que aficionado por Fuscas. Na garagem da casa onde mora em Bauru se repetem datas como 1929, 1953... Ford´s, Gordinnis, Lambrettas, uma Kombi seis portas e três Fuscas, entre outras raridades. O primeiro carro que o colecionador comprou e restaurou no fundo do quintal foi um Dodge 1948, quando tinha apenas 17 anos. “A paixão pelo Fusca começou porque foi o primeiro modelo zero quilômetro que eu consegui comprar em 1967. Antes eu havia ganhado um exemplar 1965 em uma rifa em Santos, sempre gostei dessas belezinhas”, relembra.

O xodó da coleção é um Fusca original alemão 1953, primeira série azul e cinza. O fusqueta, além dos famosos split windows (vidros “partidos” traseiros), traz as rodas originais com faixas brancas, direção de aro estreito e branco, a sinaleira lateral “bananinha” e o motor 1.100 cc, incomum no modelo que trazia as potências de 1.200 ou 1.300 cc. Os outros dois Fuscas da coleção são 1.300 cc de fabricação nacional, um1967 branco e outro 1968 vinho, deste, conta o empresário, nem a lona de freio foi trocada.

Quilômetros de história

Quem é que não se lembra de Herbie, o fusquinha simpático e cheio de personalidade do filme “Se meu Fusca falasse” (1969). O carro se tornou marco de mais de uma geração através do filme e despertou o amor de muita gente. O Volkswagen, nome oficial do Fusca, é o carro mais vendido de sua época chegando à marca de 21.529.464 unidades produzidas até 2003 – descontados outros modelos a ar ou o “New Beetle”. A última montadora a fabricar o carro era mexicana, e no Brasil a última unidade saiu da fábrica em 1996.

O nome “Fusca”, aliás, veio de uma corruptela da abreviação da marca Volkswagen (que gera a idéia “Carro do Povo”), VW. A pronúncia das duas letras em alemão “fauvê”, diz a lenda, gerou o termo “fusca”. O grande entusiasta da popularização dos automóveis já na década de 30 foi o ditador Adolf Hitler. Foi a pedido dele que o projetista austríaco Ferdinand Porsche e uma equipe de mais oito pessoas desenvolveram um carro para a família alemã (dois adultos e três crianças), com velocidade média de 100 km/h, consumo de 13 km/ litro de combustível, refrigeração a ar e que pudesse carregar três soldados e uma metralhadora em caso de guerra.