Poucos pais têm noção de quanto terão de gastar para criar um filho. Ainda mais se o investimento durar até os 22 anos, quando teoricamente o filho estará saindo da faculdade e poderá ser responsável pelo seu próprio sustento. Um levantamento feito pelo Jornal da Cidade mostra que os gastos podem superar os R$ 207 mil, ou seja, ao fim dos 22 anos, com o total investido no filho daria para comprar um apartamento de 140 metros quadrados com quatro dormitórios e duas vagas na garagem em um bairro nobre como o Altos da Cidade.
Esse cálculo leva em consideração os gastos mais comuns de uma família de classe média com renda mensal entre R$ 1,5 mil a R$ 3,7 mil, que corresponde a 76% das famílias bauruenses, segundo pesquisa feita pela Target Marketing no ano passado. Fazem parte das despesas desde os gastos iniciais com o quarto do bebê e o enxoval da mãe até gastos com educação, saúde e lazer do filho já crescido. A conta foi feita tomando como base os menores valores pesquisados de cada item, ou seja, o saldo pode ficar bem maior do que os R$ 207 mil dependendo da disponibilidade financeira da família.
“Um filho vai aumentar em 30% os gastos do casal. Assim, se a família vive no vermelho, é melhor adiar a gravidez”, sugere o economista Luis Carlos Ewald, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), em entrevista à Agência Estado. Na avaliação dele, o casal deveria passar cinco anos poupando dinheiro antes de ter um filho.
Para o também economista Geraldo Pineli, quando um casal planeja aumentar a família, precisa ter consciência do que poderá oferecer ao filho. “Se o casal tiver essa preocupação de guardar dinheiro para pagar algo melhor para o filho, provavelmente a criança terá um futuro melhor do que os pais”, prevê o economista.
A assistente de laboratório Márcia Regina Rico de Oliveira, 33 anos, tem três filhas. A mais velha, Júlia, está com 11 anos. Após ser contatada pela reportagem, ela passou uma noite calculando quanto já teria gasto com as meninas desde o nascimento da primeira. Ficou assustada. “Sinceramente, não sei de onde tiramos tanto dinheiro”, brinca. A conta ficou em R$ 82.300,00 sem contar os gastos com as diversões de fim de semana, festas na escola, presentes para os amigos, viagens, etc.
“Fiquei assustada porque deixei de incluir na despesa uma série de coisas. Coloquei só o básico. Você gasta e nem percebe o quanto está gastando”, conclui. Além de Júlia, Márcia também é mãe de Luísa, 5 anos, e a Manuela, 1 ano. O marido, Julian Gustavo Gonzalez de Oliveira, 33 anos, trabalha como gerente financeiro em um colégio da cidade e, graças a isso, dispõe de bolsas de estudo para as duas filhas mais velhas. Não fosse assim, os gastos da família Oliveira seriam ainda maiores.
“Tivemos sorte também com a saúde das meninas, porque nenhuma delas ficou doente a ponto de termos que gastar com o tratamento médico.” Segundo Márcia, quando as despesas são previstas, como mensalidade de escola ou vestuário, fica mais fácil se preparar para elas, mas quando é algo inesperado, como uma doença, nem sempre o dinheiro guardado é suficiente.
O investimento mensal em um filho varia de acordo com a realidade financeira do casal. Certas despesas, como uma festa de aniversário com buffet, fotos e filmagem podem ser evitadas por uma família mais econômica.
Já os gastos com fraldas, vacinas, mamadeira, chupeta e lata de leite suplementar são obrigatórios. Os cálculos feitos pelo Jornal da Cidade incluem o pagamento de um plano de saúde para os filhos até 22 anos, além de escola e faculdade particulares. São despesas que podem ser evitadas por famílias que matriculam seus filhos em escolas públicas e usam o atendimento médico na rede pública de saúde. Nesse caso, os gastos sofreriam uma redução considerável.
Por outro lado, o levantamento do jornal não contabiliza as despesas com dentista, oftalmologista, material e transporte escolar, corte de cabelo, férias, entre outras.