10 de julho de 2026
Geral

Média salarial inibe gastos culturais

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Com uma média salarial mensal estimada entre R$ 700,00 e R$ 900,00, pouco ou nada sobra para os bauruenses gastarem com programas e produtos culturais. A constatação pode ser tirada com base no seguinte raciocínio: se 70% do orçamento for reservado para as despesas fixas (aluguel, alimentação, transporte), como aconselham os especialistas, restam 30% para os consumos extras.

Dessa porcentagem, a economista e professora de administração financeira, Márcia Elaine da Silva Almeida calcula que as pessoas gastem no máximo 10% com cultura, mas de modo geral, isso não acontece em Bauru. “Eu acho que esse gasto não acontece. Quem está nessa faixa salarial não gasta com cultura”, diz.

Quem ganha menos de R$ 1 mil e consegue economizar, prefere programas familiares, como passeios pelo zoológico e pelo Calçadão da rua Batista de Carvalho, acredita Almeida. “Uma família de baixa renda opta por programas que dispensam muito recurso. Porque, se juntar o ingresso com algo para comer e beber, qualquer ida ao cinema fica cara”, cita a economista.

Mas Almeida reconhece que toda despesa é uma questão de primazia. “Pessoas que trabalham com projetos culturais, por exemplo, estabelecem como prioridade esse entretenimento. Mas há os que não se enquadram nesse perfil”, coloca.

Com uma renda superior à média bauruense, a cultura é uma prioridade na vida do fotógrafo e geógrafo Adalberto Caracho, 47 anos. “Eu prefiro pagar R$ 60,00 para ver um show do que comprar uma camiseta”, diz o também professor e mestrando em engenharia urbana, que troca qualquer despesa supérflua por viagens e programas culturais.

Se o trabalho não o impede, toda semana Caracho vai ao cinema, onde paga meia-entrada por ser estudante. Shows, sempre que têm na cidade, ele vai. Em teatros - “como a oferta em Bauru é reduzida”, justifica – a freqüência é menor. “Acho que gasto uns 10% do meu orçamento com esse tipo de atividade”, diz. Mas Caracho não se importa. “Apesar de pouca gente gastar com cultura, eu acho importante. Têm os que gostam mas não têm condições, mas têm os que preferem usar seu dinheiro com churrasco e cerveja”, afirma.

Mais acessível

Lojas especializadas em produtos culturais em Bauru oferecem preços mais baixos e facilidades de financiamento para derrubar a idéia de que cultura é artigo de luxo. “Trabalho com livros para todos os gostos e bolsos, de R$ 9,00 a R$ 50,00, e ainda dividimos tanto no cartão quanto no cheque”, afirma o gerente de uma livraria da cidade, Nilo Sérgio Alves Júnior.

“Eu não considero que livro é um produto caro. O que eu vejo é uma questão de prioridade. Tem gente que sabe que leitura é indispensável para a vida”, continua o gerente, que classifica como médio o poder aquisitivo da maioria dos seus clientes.

São pessoas com esse mesmo perfil, nem ricas nem pobres, que freqüentam uma loja de CDs e DVDs do Bauru Shopping e costumam levar para casa dois produtos, entre CDs e DVDs. “Todo mundo gosta de música. Por isso, mesmo quem ganha razoavelmente, gasta com isso”, coloca o responsável pelo atendimento, Paulo Cunha.

A queda nos preços dos CDs também é outro fator que favorece as compras na opinião de Cunha. “Por causa do combate à pirataria, tem produto que ficou 50% mais barato”, aponta o vendedor, cujos CDs saem em média por R$ 14,00. Mais caros, os preços dos DVDs variam de R$ 25,00 a R$ 300,00.