08 de julho de 2026
Nacional

Governo libera escalas em Congonhas

Por Leila Suwwan | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou ontem a retirada da proibição de conexões e escalas em Congonhas a partir de 16 de março, quase seis meses depois de declarar que o aeroporto paulista jamais voltaria a ser um centro de distribuição de vôos (“hub”). “Congonhas não é e não voltará a ser, em hipótese alguma, ponto de distribuição”, disse o ministro em 18 de agosto.

Ontem, o ministro disse que Congonhas voltará a atender fretamentos e charters em horários determinados do fim de semana, mas manterá o limite de 30 pousos e decolagens por hora (aviação comercial). A restrição a Congonhas havia sido anunciada no ano passado como uma resposta às dificuldades operacionais do aeroporto, explicitadas após um Airbus da TAM não conseguir parar na aterrissagem e explodir contra um prédio, matando 199 pessoas em julho de 2007. Jobim negou que o recuo com relação a Congonhas seja a correção de um erro. “Naquele momento, a mudança se justificava, havia um caos e uma falta de ligação entre os órgãos. Não é questão de que tenhamos errado, é que reassumimos o controle.”

As empresas negam que tenham pressionado o ministério para rever a política sobre Congonhas. “Mas é um avanço no sentido de restabelecer a normalidade”, disse José Márcio Monsão Mollo, presidente do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas).

O governo também desistiu de construir a terceira pista do aeroporto de Cumbica (Guarulhos), obra que era considerada essencial para atender ao crescimento do setor e deveria ser concluída até 2010. Segundo Jobim, as opções analisadas eram “inviáveis” ou não compensavam o alto custo. Para o ministro, a demanda da aviação comercial em São Paulo será atendida com mudanças na configuração dos terminais de Guarulhos, novos pátios para estacionar aeronaves, pistas rápidas de taxiamento, a construção do terceiro terminal nos próximos dois anos e o uso mais eficiente do aeroporto de Viracopos (Campinas).

Segundo o Snea, as medidas anunciadas por Jobim são uma “solução de momento”. “Mas, infelizmente, a médio prazo, ficamos com a infra-estrutura comprometida. Congonhas e Guarulhos estão no limite de operação”, disse Mollo. O ministro afirmou ontem que o local previsto para a pista teria limitações técnicas, porque poderia ter apenas 1.800 metros de comprimento e seria muito próxima da serra da Cantareira. “É incompatível com o perfil das aeronaves daquele aeroporto”, disse.

Outra alternativa, a construção da pista dentro da base aérea da FAB, custaria R$ 3 bilhões. “A solução é o terceiro aeroporto de São Paulo”, concluiu Jobim. Antes, o ministro defendia a nova pista, não o terceiro aeroporto, conforme posicionamentos do Conselho Nacional da Aviação Civil (Conac) de 2007. O local do novo aeroporto ainda não está definido, mas existem quatro ou cinco locais “sob estudo”.

O desapropriação do terreno foi estimada em R$ 2 bilhões e o projeto da obra sairá em julho de 2009, a um custo de R$ 40 milhões. Até julho, Jobim planeja aumentar em 27 espaços as vagas para aviões estacionados em Guarulhos. Hoje são 66. “O problema em Guarulhos não era pistas, era pátio”, disse. O terceiro terminal, previsto no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), deve ter o edital publicado em breve.