08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Passaporte da agonia


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“Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos.” (Martin L. King)

O sistema carcerário de São Paulo, administrado pela Secretaria de Assuntos Penitenciários, mais uma vez beneficiou criminosos em detrimento da vontade da sociedade civil, ou seja, cerca de quinze mil bandidos foram despejados nas ruas já abarrotadas de criminosos que ainda não foram presos ou que fugiram nos indultos concedidos anteriormente nas festas de final de ano.

Não há crítica que incomode o governo estadual nesse sentido, não há reclamo da sociedade que os façam rever essa aberração em favor de quem descumpriu a lei e está, portanto, pagando com sua prisão o crime que cometeu contra a mesma sociedade que agora o vê livre para atacá-la impunemente.

Nas festas de final de ano vários crimes foram cometidos por criminosos que o sistema insiste dizer que possuem bom comportamento, embora nenhum exame comprobatório seja realizado por especialistas em psiquiatria. Na verdade, a liberdade para ir as ruas nos aterrorizar parte da direção de cada presídio, e os critérios são puramente administrativos.

Voltam às ruas com passaporte e carimbo autorizando sua permanência em nosso meio, criminosos cujas ficha assustariam até os mais perversos mafiosos ítalo-americanos.

Um dos casos que mais chamou a atenção foi a de um facínora que saiu do Penitenciária de Avanhandava, no interior de São Paulo, e horas depois estuprou uma mulher de dezenove anos no Jardim Campo de Fora, zona sul de São Paulo. A moça voltava para sua casa após um dia de trabalho quando foi atacada pelo criminoso que a Secretaria de Assuntos Penitenciários qualifica como de bom comportamento.

Esse indulto é execrável, um ato administrativo abominável, pois quem comete crimes tem de pagá-los conforme rege a sua pena baseada em leis e cujo julgamento transcorreu sob a vigilância do sistema judiciário. Esse indulto tem que ser revisto por entidades que até outro dia clamavam por um basta na impunidade e na corrupção, denominada “Cansei”.

Pois nós que trabalhamos e pagamos impostos absurdos é que estamos cansados de conversa mole de governantes que compactuam com obscenidades favoráveis aos criminosos quando deveriam estar ao lado do povo. Ao invés de conceder indultos o sistema deveria estar preocupado com a aplicação correta das penas impostas a quem por conta própria preferiu seguir o caminho da criminalidade.

O resto é conversa de quem não tem o que fazer ou não quer fazer o que precisa ser feito. Já cansei de dizer que se indulto fosse bom americanos, japoneses, italianos, ingleses já teriam adotado em seus sistemas prisionais, ao contrário, no primeiro mundo, onde a administração pública é coisa séria, o único benefício que bandido tem é poder trabalhar e estudar nas dependências das prisões, o resto é excrescências das prisões de países de terceiro mundo.

Rafael Moia Filho