Nos últimos anos muitos bauruenses passaram a investir economias no mercado de ações. Tudo parecia ir muito bem, até o final do ano passado, quando a maior economia do mundo passou a dar sinais de recessão. Os Estados Unidos iniciaram 2008 com indícios de crise econômica, o que fez o investidor novato tremer de medo. Neste cenário, especialistas aconselham quem tem dinheiro investido em ações consideradas de primeira linha - de empresas do porte da Vale do Rio Doce e Petrobras -, a não venderem seus papéis. Já quem gosta de correr risco e tem paciência, o momento de baixa pode ser favorável para a compra de ações destas mesmas empresas.
Ontem, o mercado deu sinais de reação, anabolizado pelo corte da taxa de juros americana. Mesmo com a medida, especialistas avaliam que a turbulência ainda não passou. Eles aconselham quem tem dinheiro investido em empresas de primeira linha a não se precipitar. Mesmo com ações em baixa, essas companhias apresentam boa rentabilidade e devem se recuperar assim que a tensão econômica passar. Por isso, não é aconselhável vender essas ações.
O economista Wagner Ismanhoto lembra que o segredo do mercado de ações é comprar quando os valores estão em baixa e vender na alta. “A dificuldade é saber quando é cada momento”, diz. Ele avalia que, como ações de empresas de primeira linha caíram neste início de semana, criou-se uma oportunidade para a compra. Uma dificuldade, avalia, é encontrar este tipo de ação disponível. “Quem tem ações da Vale vai vender agora? Acredito que não seja a hora. Porque mesmo se perder um pouco, estas ações de primeira linha têm rentabilidade”, observa.
Porém, quem for investir agora, deve estar ciente de que o mercado ainda está turbulento e que, a curto prazo, pode perder dinheiro. “Depende do fôlego do investidor e da paciência que ele terá para aguardar a recuperação do mercado”, pondera.
Ismanhoto avalia que, mesmo com a alta apresentada ontem, a economia americana ainda não se recuperou, por isso, o investidor deve ter paciência. “Quem gosta de correr risco, investe na bolsa. Quem prefere segurança, vai investir na caderneta de poupança”, destaca.
Segurança
As palavras recessão e crise econômica causam calafrios em muitas pessoas e a possibilidade do País atravessar mais um período conturbado por conta da possível crise americana já passa pela cabeça de muitos. Mas o operador da bolsa de valores e pequeno investidor Gustavo Morbeck Naka, 28 anos, avalia que a economia brasileira não deve sofrer grandes solavancos com a crise nos Estados Unidos.
“Nas crises anteriores, não havia uma reserva internacional. Pela primeira vez temos uma poupança de R$ 160 bilhões”, diz. Ele avalia que o Brasil não deve ficar imune, mas a pancada deverá ser mais leve dessa vez.
Cauteloso, ele aconselha quem planeja investir a esperar a consolidação dos índices econômicos americanos para entrar no mercado de ações. “O mercado antecipa o futuro. Acredito que é melhor esperar para ver qual é a tendência. É difícil prever quando começa e quando termina uma recessão, mas na minha opinião é melhor esperar até saírem os indicadores, como emprego e inflação, do trimestre”, avalia.
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Abalo
Para a corretora de valores Lúcia da Silva, a economia brasileira deverá ser atingida pela crise americana, mas pode se sair bem. “Abalar vai, porque é a maior economia do mundo. E a Bolsa de Valores é volátil”, observa. Ela reforça que o momento, apesar de tenso, não é propício para a venda de ações de primeira linha. “Quem tem comprado, não é hora de se movimentar”, define.
Ela cita como exemplo a alta de ontem, provocada pela atitude norte-americana de cortar as taxas de juros. “Quem vendeu ontem (anteontem), deixou de ganhar hoje (ontem)”, diz. Porém, ela destaca que o investidor deve pensar a longo prazo, pois a alta de ontem foi uma exceção. “Foi uma reversão técnica. Ainda existe a possibilidade de cair um pouco mais”, avisa.
Para o investidor novato, enfrentar a primeira crise assusta. Para quem tremeu com a tensão do mercado, a corretora tranqüiliza. “Mas este fato não abalou a empresa, não alterou seus fundamentos”, explica. Por isso, ela orienta quem planeja entrar no mercado a aproveitar para comprar ações de primeira linha que estão em baixa. “Entre no site da Bovespa e procure uma corretora”, aconselha.