10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Procura de kit de conversão para GNV cai 70%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Pouco mais de um ano após a abertura das primeiras oficinas convertedoras de automóveis a álcool ou gasolina para Gás Natural Veicular (GNV) em Bauru, a procura pelos serviços de adaptação do motor para este tipo de combustível sofreu uma queda de 70%. A queda teve início, segundo profissionais do ramo, desde as primeiras declarações de representantes do governo federal contra o combustível, em novembro de 2007.

A decisão de desestimular o consumo de gás natural teria sido motivada pela falta de condições da Petrobras em cobrir a demanda de crescimento do GNV. A prioridade para a empresa seria assegurar a geração de energia elétrica nas termelétricas a gás natural do País.

Sérgio Luiz Cavalini, gerente de uma oficina convertedora localizada na região central de Bauru, conta que, há oito meses, chegava a fazer cerca de 20 adaptações por mês. “Hoje, a procura é praticamente zero. Estamos fazendo apenas a manutenção dos carros convertidos”, lamenta.

Ele revela que os proprietários do estabelecimento investiram aproximadamente R$ 70 mil nos equipamentos para transformar a oficina em uma convertedora para GNV. “Toda a aparelhagem está parada. A oficina só não fechou porque prestamos outros serviços e nosso pessoal não trabalha especificamente com isso”, acredita.

Cavalini afirma que o movimento vem caindo em todas as oficinas da cidade e relaciona a queda nas vendas ao temor dos consumidores quanto a um possível aumento do preço do GNV nas bombas. Praticar um preço maior seria uma das estratégias do governo para conter o consumo do combustível, face ao desequilíbrio entre oferta e demanda de gás natural em todo o País.

O gerente avalia que a procura de consumidores interessados em fazer a conversão de seus automóveis para GNV deve continuar pequena, por se tratar, agora, de um investimento arriscado. Ele acredita que somente a redução do preço do GNV nas bombas - comercializado a R$ 1,49 o metro cúbico - será capaz de estimular novamente os consumidores a transformar seus veículos.

Transporte

Essa diminuição do valor do produto para o consumidor final só se dará quando o combustível deixar de ser transportado por carretas. “Quando tivermos gasoduto aqui, o preço vai cair”, destaca Arnaldo César Fernandes, gerente de um posto de combustíveis que comercializa GNV.

Ele afirma que, em meados do ano passado, o estabelecimento vendia cerca de 120 mil metros cúbicos de GNV mensais. Atualmente, saem das bombas apenas 50 mil metros cúbicos. No entanto, Fernandes justifica a diminuição do volume comercializado no estabelecimento pela abertura de um segundo posto de GNV na cidade. “O movimento de clientes acabou sendo dividido”, argumenta.

O gerente, porém, reconhece que a venda de GNV pode sofrer queda, principalmente se o preço do álcool hidratado continuar caindo. “No preço que está hoje (R$ 1,05 o litro), a relação custo-benefício do álcool é praticamente a mesma do gás natural”, observa.

Embora existam sinais de que uma restrição ao consumo no varejo cause a escassez do combustível nos postos, Fernandes não acredita em novos aumentos. E muito menos em corte no fornecimento.

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Rumores

Para Edson Donizetti Teixeira, sócio-proprietário de uma oficina convertedora de veículos para GNV, todos os rumores em torno do assunto só vêm prejudicar empresários e comerciantes do ramo, além dos consumidores. Ele costumava converter sete veículos por mês em seu estabelecimento.

Em dezembro, pouco depois de o ex-ministro interino de Minas e Energia Nelson Hubner declarar que não aconselharia ninguém a converter seu carro ao gás natural veicular, Teixeira passou a adaptar apenas dois carros por mês.

“O gás natural está muito mais competitivo que a gasolina e o álcool, então acho que deve haver algum tipo de pressão dos usineiros para desacelerar o crescimento desse tipo de combustível no País”, analisa. Teixeira acredita, inclusive, que a auto-suficiência do País em gás natural e condensado seja possível para breve, principalmente após ao anúncio feito pela Petrobras, anteontem, sobre a descoberta de uma grande jazida de gás natural e condensado na Bacia de Santos.