Botucatu - O estoque de vacina contra febre amarela na cidade de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) está esgotado. A Secretaria Municipal de Saúde aguarda nova remessa. A procura, segundo o secretário de Saúde, Valdemar Pereira de Pinho, foi muito acima do previsto para essa época do ano. “Em janeiro do ano passado aplicamos 57 vacinas contra febre amarela. Este ano, até o dia 22 de janeiro, já foram aplicadas 700.”
O JC apurou que em janeiro de 2006 apenas 21 doses foram aplicadas, o que demonstra uma diferença de procura pela imunização enorme ano a ano.
Na opinião do secretário, não há motivo para o apavoramento demonstrado nas últimas semanas em todo o País, mesmo porque não há casos de febre amarela transmitido na zona urbana. “Os casos são de febre amarela silvestre, transmitidos na zona rural, próximo de matas.”
A febre amarela, informa Pinho, só chega à área urbana porque tem o mosquito transmissor. “O Aedes aegypt é o mosquito transmissor. Se não tiver o mosquito, não ocorre a transmissão.”
Ele acha que a população deveria eliminar os criadouros do mosquito. Só assim a transmissão ficaria inviável. “Mesmo com o vírus, não teria a transmissão. Em Botucatu não há nenhum caso de febre amarela e nem é área de risco.”
A vacina é indicada apenas para quem vai viajar para áreas de risco. “Temos de vacinar aqueles que têm risco de pegar a doença, que moram em área endêmica, onde está tendo circulação do vírus, que é a Amazonia legal e mais outras matas contíguas; Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Góias até Maranhão, tudo para a esquerda, Acre, Roraima, Rondônia, Pará, Amazonas.”
Além dessas regiões, avisa o secretário, há áreas de transição, onde o vírus circula às vezes. “Oeste de São Paulo, fronteira do Mato Grosso, Oeste do Paraná, Minas, são considerados área de risco intermediário.”
O secretário orienta a tomar a vacina somente quem vai viajar para essas localidades. “Não há necessidade de todo mundo se vacinar. Recebemos 300 doses recentemente e o estoque já está zerado.”
Segundo ele, a Secretaria de estado da Saúde está fornecendo doses de acordo com a disponibilidade deles. “Numa quantidade muito acima do consumo médio previsto para essa época do ano pela história dos anos anteriores. E mesmo assim, não está sendo suficiente, porque a população está apavorada.”
Para ele, a população deve ficar tranqüila e eliminar os criadouros do Aedes. “A população quer ser vacinada. Tivemos tumulto nos dias anteriores, agora estamos distribuindo senha e a situação está normalizada.”