09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Em defesa da cidadania


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Finalmente “caiu a ficha” para o cidadão-contribuinte carioca. Resolveram enquadrar um prefeito omisso, obrigando-o ao cumprimento de suas obrigações básicas de atendimento ao povo, que na campanha e no palanque ousou prometer e ficou só na promessa. O movimento de boicote ao pagamento do IPTU/2008, não é necessariamente uma questão de grana. Nas colunas dos dois maiores jornais diários do Rio de Janeiro, César Maia vem recebendo dos seus conterrâneos, espinafrações tais como: "omisso, mentiroso, relaxado, descuidado, preguiçoso, incapaz, dorminhoco, debochado", entre outros.

Dia destes, o cidadão Saulo Padrão Júnior, em e-mail ao jornal “O Globo”, disse: "É com muita alegria que entro em 2008, sabendo que será o último da gestão César Maia. Foram 12 anos de incompetência em administração ou 16 anos se considerarmos a gestão de Luiz Paulo Conde. O Rio de Janeiro está sitiado por favelas, sujeira acumulada, galerias entupidas, etc." César Maia conseguiu com que as dezenas de associações representantes do povo carioca se unissem e agora a tese defendida é: "IPTU sem a devida retribuição por parte da prefeitura não é imposto, é derrama".

A frase serviu de “senha” para os integrantes da conjuração carioca iniciar a desobediência civil sob a forma de insurreição fiscal. Em poucos dias o movimento pelo boicote ao IPTU ganhou as ruas e multiplicou adesões sem fim. O prefeito César Maia, que até aquele momento não havia entendido que a questão não era a grana e muito menos deixar a prefeitura sem arrecadação, mas sim um protesto político, uma afirmação de cidadania, uma maneira de o contribuinte proclamar, de forma coletiva e veemente, que sua administração, mesmo com o cofre cheio, tem sido um desastre acabou capitulando. Decretou a revogação do IPTU majorado. Venceu a democracia. Venceu o maior beneficiado dela: o povo.

Aqui na província tem candidato a candidato que afirmou ficar incomodado com a “mentalidade negativa e a postura excessivamente crítica de algumas pessoas”. Disse “que tem gente que só enxerga a parte vazia do copo”. (Que) “é cômodo apontar os erros, o difícil é ajudar a mudar as coisas e encontrar a solução para os problemas”(???)

Acho errado pretender-se uma cidade submissa. Foi-se tempo em que o farpado vigorava. A sociedade bauruense, pelo menos os formadores de opinião, começa a mostrar-se farta, tanto quanto os cariocas. Enganam-se aqueles que imaginam a sociedade ser desrespeitosa com a democracia, porém, o que ela exige é o respeito ao seu direito inalienável de reclamar. Tivesse tirocínio suficiente para entender o ridículo das palavras proferidas, veria que essa truculência só faz jus ao passado. A lógica eleitoral para quem ousar sentar-se na cadeira número um das Cerejeiras é ao menos escutar mais no lugar de incriminar. É muito bom ter sorte, mas é melhor, muito melhor, ter juízo.

Longe de mim querer polemizar. Polêmica pode ser resultado de uma controvérsia, não o chamariz de uma criteriosa opinião. Prefiro concordar com as afirmações de um sagaz observador dos afoitos candidatos: "os grandes desastres são construídos assim:um mau passo puxa o outro e, juntos, cavam um fosso profundo". Discordar é preciso. Sempre!

Nicanor Amaro Silva Neto