09 de julho de 2026
Geral

Em meio a ‘jogo de empurra’, cancelas de ferrovias permanecem mal conservadas

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Os dias passam e os problemas envolvendo a manutenção e instalação das cancelas nos cruzamentos de vias férreas de Bauru continuam se repetindo e, para piorar, sem possibilidade concreta de solucioná-los de forma definitiva. Enquanto isso, a prefeitura bauruense e a América Latina Logística (ALL), concessionária que explora o setor na região, discutem há meses na Justiça de quem é a responsabilidade pela instalação de cancelas nos cruzamentos de linhas férreas, pendência que também ainda está longe de se chegar a um acordo.

Há cerca de 15 dias, a reportagem do JC vistoriou as passagens de nível existentes nas linhas férreas que cortam a cidade. Quatro, das seis, contam com cancelas para garantir a segurança de veículos e pedestres. Na ocasião, o Jornal da Cidade flagrou dois equipamentos quebrados: um na avenida Daniel Pacífico, onde um dos braços da cancela instalada entre as quadras 2 e 3 estava danificada e a outra presa com correntes no alto, já que teriam que funcionar em sincronia; o outro na rua Aymorés, na Vila Antártica, também estava desativado em virtude de uma haste de bloqueio estar quebrada na metade.

Mas, passado esse período, o JC voltou ontem não só às duas passagens defeituosas como também verificou as atuais condições das demais cancelas restantes na cidade. Das duas primeiras, somente a da rua Aymorés foi reparada e está ativa, pois a da avenida Daniel Pacífico continua na mesma situação de há 15 dias: com um dos braços quebrados - no sentido Bela Vista/Vila Falcão - e o outro acorrentado, ameaçando a segurança de motoristas e pedestres que passam pelo local.

No entanto, apesar de ter sido consertada, dois detalhes relativos a placas de sinalização de segurança chamam a atenção na cancela da rua Aymorés: enquanto uma delas, a que determina a parada obrigatória, está com a parte superior dobrada atrapalhando a visualização do “Pare”, uma outra, que avisa sobre lombada nas proximidades, está colocada exatamente à frente de outra placa de cruzamento férreo, impedindo a leitura completa do aviso de alerta.

Problema do mesmo gênero também afeta a passagem de nível da rua São Sebastião, onde apesar de contar com uma cancela em condições de operação, uma placa de alerta para pedestres encontra-se amassada. Já o equipamento existente na quadra 5 da rua Antônio Alves também encontra-se bem conservada, com exceção do asfalto nas proximidades dos trilhos, cheios de deformações e calombos.

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Sem segurança

Enquanto a prefeitura e a ALL permanecem no jogo de “empurra” sobre as responsabilidades de instalação das cancelas, algumas passagens de nível nas linhas férreas da cidade permanecem sem o dispositivo de segurança.

Esse é o caso de uma das principais avenidas da cidade, a Comendador José da Silva Martha, palco de vários acidentes com carro e trem. No ano passado, em maio, o comerciante Luiz Carlos Martins, de 45 anos, atingiu de raspão uma composição que passava pela linha.

Mas, além da falta do equipamento, outro fator também compromete seriamente a segurança do local: o mato alto localizado nas proximidades do cruzamento, principalmente o existente no sentido bairro-Centro. O denso matagal prejudica a visibilidade de quem trafega em direção à Praça Portugal e praticamente impede a visualização da aproximação de uma composição, aumentando o risco de acidentes.

Já na passagem de nível da rua Cezar Cruz Ciafrei, no Jardim Chapadão onde também não há cancela, os motoristas sofrem com o mato alto de terrenos nas proximidades e as diversas imperfeições do asfalto, principalmente as situadas entre os trilhos. Em junho do ano passado, a escriturária Rafaela Ribeiro, 21 anos, não escutou o apito de um veículo de manutenção da linha férrea que passava no local e acabou colidindo sua motocicleta contra o trem.