Ontem pela manhã, o detento Elenildo Silvio Santana, 37 anos, foi encontrado morto, provavelmente por enforcamento, numa cela de isolamento do Centro de Detenção Provisória (CDP). Ele havia ingressado no regime fechado poucas horas antes da ocorrência, registrada pela Polícia Civil como suicídio.
Até anteontem à tarde, Santana cumpria pena no Instituto Penal Agrícola (IPA) por roubo, conforme apurou a reportagem. Teria perdido o benefício do semi-aberto porque encontraram com ele um celular e seu respectivo carregador. Os aparelhos foram localizados em seu tênis, durante revista pela qual passaram os reeducandos que voltavam do trabalho externo.
A identificação do telefone resultou no registro de um boletim de ocorrência na Polícia Civil. Como é de praxe nestes casos, Santana foi levado ao CDP, situação que seria comunicada à Vara de Execuções Criminais. Enquanto a conduta seria apurada, o detento permaneceria no regime fechado. A posse de celular em unidade prisional é considerada falta grave.
Se flagrado, o detento perde todos os benefícios anteriormente conquistados, inclusive os dias de remissão da pena obtidos com trabalho. Segundo a reportagem apurou, Santana tinha a cumprir cerca de cinco meses de pena. Ele trabalhava numa empresa de Bauru há um ano e meio. Neste período, nunca faltou e, em virtude do bom comportamento e desempenho profissional, havia sido promovido recentemente.
Ele não dava sinais de que pudesse cometer suicídio, informaram em seu local de trabalho, cujo nome será preservado a pedido da empresa. No entanto, segundo o Instituto Médico Legal (IML), em seu corpo não havia qualquer lesão ou indício que pudesse apontar uma luta corporal. Marcas poderiam indicar uma eventual resistência seguida de homicídio.
A direção do CDP, em sindicância interna, apura em quais circunstâncias a morte ocorreu, informa a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O caso também será investigado pelo 1.º Distrito Policial, onde um inquérito será instaurado. O delegado Elizeu Freitas Costa aguarda o resultado dos laudos necroscópico e da Polícia Científica. Ele também ouvirá os agentes da unidade prisional.