Se, no início do ano, o consumidor comemorava a extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e uma significativa economia no orçamento doméstico, agora já não há mais motivos para alegria. O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), adotado pela equipe econômica do governo federal para compensar o fim do tributo, já está encarecendo o custo dos financiamentos de veículos.
Quem contratou o crédito antes do dia 3 deste mês, data da publicação do decreto que elevou a alíquota, conseguiu economizar uma quantia considerável. De acordo com cálculos do economista Cláudio Augusto Garbi, professor de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para financiar um carro no valor de R$ 25 mil em 72 vezes, o comprador pagaria parcelas de R$ 569,63, incluindo juros de 1,3% ao mês.
Depois do aumento do IOF, que foi reajustado de 1,5% para 3,38% ao ano, as prestações subiram para R$ 607,72. Nesta projeção imaginada pelo economista, o consumidor teria um custo final R$ 2.742,48 superior, mesmo com a isenção da CPMF. Ele lembra que, com esse dinheiro, seria possível quitar o IPVA, licenciamento e parte do seguro do automóvel.
Se a majoração dos juros significou um grande impacto no bolso dos consumidores, para as concessionárias de Bauru o reajuste ainda não está comprometendo as vendas. Segundo Jorge Simão Neto, diretor de uma concessionária em Bauru, uma das estratégias foi não repassar integralmente a alta da taxa para os consumidores. “Parte do aumento do imposto acabou sendo absorvido pelas instituições bancárias, pelas montadoras e pelas próprias concessionárias. Estamos tentando nos adaptar a todas as determinações do governo”, revela.
Conforme explica José Antonio Rossini, diretor comercial de outra concessionária instalada na cidade, a única mudança foi a migração dos consumidores para um outro tipo de financiamento, o leasing - contrato de aluguel com opção de compra no final - sobre o qual não incide o IOF. “As vendas não diminuíram, mas os consumidores passaram a optar por uma outra forma de financiamento. De forma geral, a operação em leasing em janeiro cresceu 83% em relação ao mesmo período do ano passado”, frisa.