O drama do bauruense, que o JC chamará de Agnaldo (nome fictício), começou há 21 anos. Era noite e ele viajava como passageiro em um veículo dirigido por um amigo. Eles seguiam em direção a Agudos quando, nas proximidades da entrada da cidade, no sentido contrário, um caminhão iniciou uma ultrapassagem a um ônibus.
Foi quando Agnaldo puxou a direção do carro para tentar desviar dos veículos na direção contrária, atitude que provocou a perda de controle do automóvel, que rodou e bateu em um barranco, prensando o bauruense entre a porta que havia se aberto enquanto o carro rodopiava.
Agnaldo sofreu graves ferimentos na coluna e no pulmão - que foi perfurado pelas diversas costelas que se quebraram, provocando enorme hemorragia interna - por pouco não morreu. Após permanecer 12 dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e mais 24 dias em um quarto de hospital, o bauruense recebeu o diagnóstico que ninguém gostaria de ouvir: ficaria paraplégico (sem o movimento das pernas) pelo resto da vida, o que também gerou sua aposentadoria por invalidez.
Passado o choque com a notícia, e as conseqüentes tentativas de normalizar a todo custo a vida familiar, Agnaldo conseguiu, via Sistema Único de Saúde, implantar uma prótese peniana mais barata, que custa cerca de R$ 1.500,00. Mas, dois meses após a colocação da prótese, em março de 2006, ela foi rejeitada por seu organismo.
Após o ocorrido, Agnaldo procurou um especialista na área, que diagnosticou que a indicada para seu caso era a colocação de uma prótese inflável, capaz de lhe dar melhor qualidade de vida. “Ela é mais confortável, pois é totalmente flexível e pode ser desinflada quando estou sentado, o que não era possível com a anterior. Ela também facilita na hora de urinar”, compara Agnaldo, que está consciente das dificuldades que terá, mesmo com a decisão judicial favorável, para receber a prótese.
Mas, pelo menos a cirurgia para implantação da nova prótese não deverá ser problema para Agnaldo. Isso porque o bauruense já conseguiu que um médico a realizasse gratuitamente. “Sei que a Secretaria do Estado da Saúde vai recorrer e que iniciarei agora outra luta”, frisa o bauruense. “Mas não vou desistir, pois é algo que vai contribuir para melhorar não só a minha vida emocionalmente e psicologicamente, mas também a da minha esposa, que sempre foi muito compreensiva”, acrescenta.