11 de julho de 2026
Política

‘Se estivesse em empresa, teria salário menor’, diz nutricionista

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Após 23 anos de experiência e muitos cursos de aperfeiçoamento ao longo da carreira de nutricionista, Suely Prieto afirma que se deixasse hoje o serviço público para trabalhar em alguma empresa, passaria a ganhar menos da metade do que recebe atualmente.

Funcionária da Universidade de São Paulo (USP), ela diz ter encontrado no setor público a grande oportunidade de fazer carreira na área de ensino e pesquisa. Segundo ela, o setor privado, na área em que ela atua, privilegia a produção e o marketing e, normalmente, atrai profissionais menos qualificados. Ela pondera, no entanto, que existem setores na esfera pública que remuneram mal os profissionais da área de nutrição, como as prefeituras, por exemplo.

O assessor de projetos Adelmo Bertussi recebeu vários convites para deixar o serviço público, onde está há 45 anos, mas recusou todos. O motivo para as recusas, no entanto, não foi o financeiro. “Com certeza, se eu fosse trabalhar para a iniciativa privada, ganharia muito mais do que ganho, pelo menos o dobro”, afirma. Segundo ele, as negativas tiveram mais a ver com questões familiares.

Bertussi conta que recebeu um convite para trabalhar em uma empresa de Campo Grande (MS) para ganhar quatro vezes mais do que ganhava trabalhando na Prefeitura de Bauru como assessor de projetos. “Se eu deixasse a prefeitura, perderia todo o tempo de trabalho para fins de aposentadoria. Teria de começar tudo do zero. Então, decidi ficar”, relata. Ele foi ficando e está lá até hoje.

Para compensar os baixos rendimentos, Adelmo abriu um escritório particular, onde trabalhou durante 30 anos, depois do expediente da prefeitura. “Eu ia lá todos os dias e muitas vezes cheguei a varar a madrugada trabalhando”, comenta. Hoje, com os dois filhos formados e bem empregados na iniciativa privada, ele diz se sentir orgulhoso e recompensado.