08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Agora é oficial!


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Dia 21 de janeiro foi o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. O deputado federal Daniel Almeida encaminhou ao Congresso Federal a proposta e, em 27 de dezembro de 2007, o presidente Lula sancionou a lei nº 11.635, que prevê o 21 de janeiro como a data oficial do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data foi escolhida para coincidir com o aniversário de morte da Sacerdotisa Mãe Gilda de Ogum, que morreu de infarto no ano 2000 após ter seu terreiro de Candomblé invadido duas vezes por religiosos contrários a suas práticas e ver sua foto ilustrando uma matéria de teor depreciativo veiculada por jornal religioso.

Na prática, representa muito pouco esta ação, mas na teoria podemos encarar como um grande passo. Pois aos instituir este dia o poder público reconhece que existe sim muita intolerância religiosa no Brasil, pois não se combate aquilo que não existe.

Vamos trabalhar para que esse reconhecimento venha impulsionar medidas práticas de combate à intolerância, intolerância essa sentida por diversas religiões, mas, sem dúvida alguma, sentida muito mais por adeptos da Umbanda e do Candomblé.

Historicamente nenhum outro segmento religioso enfrentou e enfrenta tanta intolerância como as religiões denominadas “Afro-Brasileiras”. Ao longo da história do Brasil essas religiões foram vítimas de intolerância de todas as formas imagináveis (pelo governo, pela policia, por outras religiões, pela imprensa, etc), mas agora estão sendo vítimas de uma forma até então inimaginável, vítimas de preconceito religioso por parte dos traficantes.

No Rio de Janeiro, nas favelas e nos morros, já se tornou uma prática comum: traficantes que se apresentam como evangélicos (claro que se fossem evangélicos realmente não seriam traficantes) estão fechando terreiros de Umbanda e Candomblé. Por professarem outra crença religiosa estão expulsando os dirigentes espirituais de religiões afro-brasileiras de “seus” territórios. A ação parte da crença por parte deles que a Umbanda e o Candomblé sejam cultos demoníacos, veja só, justo a Umbanda e o Candomblé, que nem sequer acreditam na existência do tal demônio. Os cultos, as rezas, os atabaques, as tradições sagradas, tudo isso é demoníaco? Agora as metralhadoras, drogas, mortes, isso é de Deus?

Quem poderia imaginar? Ou melhor, quem ensinou isso para eles? A televisão? Pode ser. Aí surge uma nova pergunta. E o Estado, o que tem feito para impedir que programas que incentivam o preconceito e a intolerância religiosa sejam exibidos em rede aberta de televisão, já que essas emissoras funcionam com concessões públicas?

Então, que o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa sirva para dar início, de forma efetiva, ao ano nacional de combate à intolerância religiosa. Não tem sentido um país com um povo de tanta fé e tantas crenças permitir que aconteça preconceito religioso, aliás, permitir que aconteça preconceito de qualquer forma, pois se existe uma característica marcante no povo brasileiro é a diversidade, e é justamente isso que nos torna tão especial.

Ricardo Barreira - presidente do Umbanda Fest, www.umbandafest.com.br