10 de julho de 2026
Bairros

Temporada de chuvas coloca população dos bairros em alerta

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

Ano Novo pode até significar vida nova para muitas pessoas, mas não para a maior parte das pessoas que residem nos bairros periféricos de Bauru. A chegada da temporada de chuvas agrava a cada ano a situação nesses locais. Buracos, que são pequenas crateras, podem ser encontrados nas ruas e avenidas onde existe asfalto. Nas dezenas de quadras que nunca receberam esse benefício, os problemas são as erosões, formadas pela força das enxurradas, seja nas laterais ou mesmo no meio das ruas e avenidas.

Essas questões há muito tempo tiram o sono e geram prejuízos cada vez mais freqüentes para as pessoas. As chuvas também atingem os bairros de classe alta, mas os problemas gerados são menores.

Estimativa da Secretaria Municipal de Obras indica que das quase 11 mil quadras pavimentadas existentes no município, pelo menos em 8.400 o pavimento já ultrapassou os 15 anos de vida útil. O risco do aparecimento de buracos e deterioração da capa asfáltica é iminente. Na rua Moacyr Zelindo Pessoni, Jardim Jussara, zona oeste, o asfalto aos poucos vai dando lugar a um imenso buraco que cresce sem parar no meio da via.

A situação piora em alguns bairros da zona norte, onde o asfalto ainda não chegou, como no Pousada Esperança 2, Jardim Ivone e Andorfato. Nessas ruas os moradores estão usando entulho de materiais de construção (muitas vezes deixados no meio das ruas pelos caminhões) para amenizar momentaneamente os efeitos dos buracos e erosões.

Paulo de Brittes, secretário municipal de Obras, tem nas mãos um estudo encomendado pela extinta Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) que aponta que cerca de 3.500 quadras espalhadas por ruas e avenidas de Bauru estão sem asfalto.

Como se não bastassem os buracos no asfalto e o aumento das erosões nas ruas de terra, os moradores têm ainda que conviver com o mato alto e aparecimento de caramujos. Michele Cardoso de Campos, que tem sua residência na rua Pedro Santos Silva, no Jardim Ivone, diz que já cansou de reclamar. “Não adianta nada, nos buracos a gente dá um jeito e usa o entulho para aterrar, mas para o mato alto e caramujos não tem solução”, reclama.

No Pousada da Esperança 2 o problema é mais crítico. Luiz Carlos da Silva mostra de dentro de uma erosão em frente a sua casa a situação vivida pelos moradores do local. “Passar de carro por aqui quando chove nem pensar; em dias normais para você cair em um desses buracos basta um momento de desatenção”, conta.

Moradores e presidentes de associações de bairros se dizem cansados de reclamar e pedir soluções. Maria Ferreira Rodrigues, moradora do Jardim Andorfato, diz que mora ali há mais de 20 anos e que há muito tempo o local está abandonado.

“Nos últimos anos, nada de bom foi feito por aqui. As galerias pluviais que servem para escoar a água da chuva e que são essenciais para chegada do asfalto foram encobertas por terra pelos próprios funcionários da prefeitura”, denuncia.

Segundo a moradora, a resposta é sempre de que melhorias nas ruas do bairros estão agendadas, mas que no momento as equipes estão trabalhando em outros locais da cidade.

O secretário municipal de Obras comenta que para solucionar todos os problemas de asfalto e erosões nos bairros de Bauru seriam necessário cerca de R$ 250 milhões, pouco menos que orçamento do município para 2008, que é de R$ 288 milhões.

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Recape

Desde quando assumiu a Secretaria Municipal de Obras, Paulo Brittes autorizou o recape de cerca de 200 quadras na cidade. Esse número não representa nem 3% da necessidade atual da cidade. De acordo com o secretário, das 10 mil quadras asfaltadas em Bauru, aproximadamente 70% precisam de um recape urgente.

Ampliar esse percentual, diz o secretário, esbarra na previsão orçamentária da pasta: cerca de R$ 22 milhões para investimentos em 2008. Entre os gastos estão incluídos o pagamento de salários, encargos sociais, compra e manutenção de máquinas e equipamentos e ainda a aquisição de materiais e produtos.

Por conta disso, a secretaria tenta amenizar a situação de algumas quadras com a operação tapa-buracos. “Não há recursos financeiros suficientes para que todo serviço seja feito”, explica.

O problema, segundo Brittes, é que existem vias com o prazo de qualidade do asfalto já está vencido há muito tempo. Entre os casos, cita o Núcleo Octávio Rasi, zona leste, onde a primeira capa asfáltica havia sido colocada pela primeira vez há mais de 20 anos, na primeira gestão do prefeito Tuga Angerami.

No ano passado, o núcleo teve suas ruas recapeadas, atendendo a solicitação dos moradores daquela região. O secretário ressalta que os investimentos em pavimentação são necessários, mas que estão sendo feitos com o pé no chão e de acordo com a capacidade orçamentária do município.

Brittes entende que o Plano Comunitário de Melhorias é a alternativa para as pessoas que querem pavimentar sua rua e não desejam esperar até que a Prefeitura tenha condições de executar esse serviço.

Nesse caso, será preciso ter adesão mínima de 75% dos moradores. A prefeitura faz o pagamento do percentual restante à empresa vencedora do processo licitatório e depois realiza a cobrança dos moradores que não aderiram ao contrato.

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Demora

De acordo com Zaqueu Viera da Silva, presidente da Associação de Moradores do Jardim Tangarás e Parque Bauru Mirim, na zona leste, a demora em receber uma resposta da Secretaria Municipal de Obras é o que mais irrita os moradores. “É difícil chegar no local para reclamar de algo que está errado na sua rua e ser tratado com indiferença”, reclama. Segundo ele as pessoas estão cansadas de entrar no cronograma de obras e o serviço nunca ser executado.

A secretaria informa que, da mesma forma que a chuva complica ainda mais a situação dos bairros com ou sem asfalto aumentando os buracos e as erosões, também atrapalha o trabalho das equipes de recape e tapa-buracos, que precisam de tempo seco para que o serviço realizado não seja levado pela enxurrada.

Enquanto a administração municipal tenta obter mais recursos para asfalto, à população resta desviar dos buracos. A cidade tem cerca de 1,5 milhão de metros quadrados de ruas de terra que são trajetos de ônibus. A estimativa é que seriam necessários aproximadamente R$ 250 milhões para recape e pavimentação de todas as ruas que necessitam do serviço.