10 de julho de 2026
Bairros

Moradores acumulam prejuízos econômicos

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

A situação decorrente da falta de asfalto é criticada em praticamente todos os bairros da cidade. Na rua Comendador Leite, na Vila Seabra, zona oeste, buracos se somam a mato alto, terra e caramujos. Na Pousada da Esperança e no Jardim Ivone, zona norte, o mato alto briga com as erosões por espaço nas ruas e avenidas.

Cansados de esperar pelo poder público, muitos moradores colocam as mãos à obra. É o que fez Vlademir Mendes Peres, morador do Jardim Andorfato, que reformou a galeria fluvial que fica em frente à sua casa. “Não tinha jeito, cada vez que chuva vinha a rua se transformava em um verdadeiro rio”, lembra. A galeria reformada por Peres foi a única que sobrou na rua Aldo Apparecido Marcelino. As outras foram soterradas pela própria prefeitura, segundo denunciam os moradores.

No Jardim Tangarás e Parque Bauru Mirim, quem sofre com os problemas causados pelas chuvas são as empresas de transporte coletivo que operam em Bauru. De acordo com Zaqueu Viera da Silva, presidente da associação de moradores que reúne os dois bairros, os ônibus precisam fazer “zigue-zague” pelas ruas para poder cumprir seu itinerário. A situação piora em dias de chuva, onde as vias, além de esburacadas, ficam escorregadias.

Em outros bairros periféricos a situação não é diferente. Segundo a assessoria de imprensa da Associação das Empresas de Transporte Coletivo e Urbano de Bauru (Transurb), as empresas são obrigadas a desviar as rotas para conseguir atender todos os bairros.

Na semana passada, cerca de 30% dos trajetos estavam operando com algum tipo de alteração no itinerário. Mesmo assim, a assessoria da Transurb faz questão de salientar que essa porcentagem é menor do que alterações feitas no mesmo período em 2007, quando incidência de chuvas foi mais forte.

Carros e motos também fazem verdadeiros malabarismos para conseguir trafegar pelas ruas. Peres diz que teve de se desfazer do seu veículo e comprar uma moto. “Ficou mais fácil chegar em casa com a moto, fiquei várias vezes com carro encalhado nos buracos cheios de água da chuva”, afirma.

Os proprietários de oficinas mecânicas de Bauru confirmam os prejuízos que os donos de veículos têm devido à má conservação das ruas e avenidas nos bairros da cidade. Rui Barbosa da Silva, dono de uma oficina mecânica na cidade, comenta que os problemas causados são diversos, principalmente nos veículos mais novos que não são preparados para circular em vias esburacadas.

“A suspensão do veículo é a parte mais prejudicada. Amortecedores, pivôs e outras peças não resistem aos impactos, com isso o motorista chega a gastar até R$ 1.000,00 para colocar o veículo rodando normalmente”, relata.

O mecânico Evérton Quirino dos Anjos diz que em sua oficina o número de veículo com problemas de suspensão aumenta sempre depois de fortes chuvas. “Quando é só suspensão ainda o problema não é considerado tão grave, mas tem veículo que chega ser invadido pela água, aparecem problemas elétricos e os gastos são maiores”, conta.

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Previsão

De acordo com a previsão climatológica para Bauru do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), deve chover menos na cidade nos três primeiros meses do ano. “Não dá para falar em volume de chuvas, mas a previsão para este ano não é igual nem parecida com a dos três últimos anos”, explica o meteorologista Fernando de Almeida Tavares, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) de Bauru.

No primeiro trimestre de 2005, choveu o equivalente a 571 milímetros. no ano seguinte, houve uma queda nesse índice e choveu cerca de 471 milímetros na cidade. No ano passado, o nível de chuva na cidade voltou a subir, chegando a 546 milímetros.

Para 2008, a previsão é de que as chuvas sejam menos rigorosas e mais bem distribuídas. Em janeiro de 2005 e 2007 os pluviômetros – aparelhos usados para medir a quantidade de chuva em um determinado período - marcaram uma incidência acima da casa dos 300 milímetros e uma queda significativa nos dois meses seguintes.

A previsão climatológica para a cidade aponta um índice de chuvas abaixo do normal para o período. “Claro que previsões como essas para períodos tão longos podem não alcançar um grande índice de acerto, mas é uma base para as previsões diárias e semanais, em que o acerto é de 100%”, analisa.

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Paralelepípedos

A tradição das ruas com paralelepípedos que cobre diversas quadras em ruas e avenidas de Bauru tem gerado diversos transtornos, entre eles acúmulo de mato, terra e água das chuvas, além de grandes buracos formados em alguns trechos.

Na quadra 5 da rua Benjamim Constant, o mato alto está entre as pedras espalhadas pela rua, chegando a cobri-la. Na quadra 1 da rua José Bastos, Vila Falcão, o problema também é grande, o mato começa a tomar conta da rua e os remendos com asfalto feitos pela prefeitura são cada vez maiores. Moradores insatisfeitos com o acúmulo de água em frente a suas casas chegam a cobrir alguns pontos com cimento para tentar amenizar os problemas.

Em bairros como o Vista Alegre e Bela Vista, na região oeste, o mato alto ajuda no acúmulo de terra e sujeira, o que acaba dificultando a limpeza até das calçadas. Com a chegada da chuvas o problema tende a piorar.

O vendedor José Cláudio de Barros, que trabalha pelas ruas de Bauru, diz que até os veículos sofrem com as ruas calçadas com esse tipo de material. “O carro trepida muito, acaba com parte elétrica e fica tudo solto. Os modelos mais novos foram feitos para circular em ruas asfaltadas, mas não em ruas que não oferecem estabilidade”, reclama.

Outro problema das ruas com paralelepípedo surge com as fortes chuvas. As pedras ficam lisas e se transformam em verdadeiras armadilhas para os motoristas mais desatentos ou inexperientes. Para diminuir os problemas de buracos nessas vias, a prefeitura tem usado asfalto e os moradores, cimento, o que colabora para que os pneus dos veículos percam a aderência com chuvas, aumentando o risco de acidentes.