09 de julho de 2026
Cultura

Azulão ameaça desistir do Carnaval em 2009

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Como é tradição nesta época do ano, quem passar pela quadra 5 da avenida Gabriel Rabelo de Andrade, no Parque Jaraguá, ouvirá de longe a cadência da máquina de costura da famosa Cidinha. Às vésperas do Carnaval, a vice-presidente do Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba (GRCES) Azulão do Morro, Aparecida Brito Caleda, não arreda o pé das fantasias.

Mistura-se ao compasso do trabalho o som emitido pela caixa de repique, volta e meia lembrada pelas crianças que integram o batalhão dos poucos guerreiros que ainda lutam para manter viva a folia em Bauru. Alegria não falta. Mas decepção, também não. Se a segunda vencer a primeira, o Azulão abandonará a Festa de Momo a partir do próximo ano.

“É só reunião, reunião, reunião. Não agüento mais. Se ninguém trabalhar durante o ano, não acontece nada mesmo. O Carnaval está morrendo aos poucos. Quem mantém a chama acesa somos nós, mas a guerreira está desanimando”, confessa Cidinha. No ano passado, crente que receberia R$ 5 mil da Secretaria Municipal de Cultura, ela e a família entraram em dívidas.

Do montante que seria liberado pela Prefeitura, vieram apenas R$ 1,5 mil. A expectativa é de que a diferença seja liberada neste ano. Se não for, no entanto, não surpreenderá ninguém. Hoje, representantes da escola participam de mais uma reunião com a Cultura.

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Branca de neve

As cores azul e branco serão incorporadas à história da Branca de Neve, neste ano. Como escola ou bloco, o Azulão tomará as avenidas Nações Unidas (dia 3) e Gabriel Rabelo de Andrade (dia 4), durante o Carnaval. Espera reunir entre 140 e 180 foliões.

Estarão divididos entre as alas dos anões, das bruxas e das princesas, por exemplo. “Desta vez, estaremos mais voltados para a arte, para o tema infantil. Vamos aproveitar para divulgar nosso projetos sociais”, explica Cleide Maria Neres, presidente da escola e nora de Cidinha.

Ela coordena desde 2005 o projeto Sementes do Azulão, contemplado com o Programa Municipal de Estímulo à Cultura. Cerca de 50 crianças, de 7 a 14 anos, participam de aulas de mestre-sala, porta-bandeira e ritmista. O Azulão ainda oferece, do próprio bolso, aulas de teatro a 18 crianças. Todos os envolvidos nos cursos vão desfilar.

Parte deles também ajuda, diariamente, a preparar a apresentação. A partir dessa semana, mais adultos (além dos quatro cativos) passam a incorporar o batalhão comandado por Cleide e Cidinha.

A idéia é não decepcionar o carnavalesco Ricardo Caledo, que idealizou os figurinos a partir do tema “A Viagem do Azulão na História da Branca de Neve”. Ele também pensou nos adereços do mestre-sala e porta-bandeira, além do carro alegórico, que não serão dispensados em nenhuma circunstância, seja pelo bloco, seja pela escola de samba.

No dia 3, o Azulão fecha o desfile dos blocos, previsto para começar às 19h na avenida Nações Unidas. No dia seguinte, a concentração também está marcada para 19h, mas na quadra 8 da avenida Gabriel Rabelo de Andrade, no Parque Jaraguá.

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Bloco

Se a verba sair, o Azulão fechará o desfile dos blocos como escola de samba. A festa está prevista para acontecer em 3 de fevereiro, na avenida Nações Unidas. Caso contrário, participará como bloco. Por enquanto, excluindo os recursos municipais, a escola reformará fantasias e criará outras com, no máximo, R$ 2,4 mil.

R$ 600,00 já conseguiram de patrocínio e esperam, na reta final, angariar mais R$ 400,00. Outros R$ 1,4 mil obtiveram por intermédio dos feirões realizados no sambódromo. Mas parte desse valor já foi utilizada com projeto social de teatro e com a festa das crianças, no dia 12 de outubro. “Se as outras escolas se esforçassem, também conseguiriam fazer algo com o valor obtido via sambódromo”, conclui Cidinha.

Se o Azulão se igualar a elas e deixar de desfilar no próximo ano, manterá apenas projetos sociais que não dependem de verba pública.