09 de julho de 2026
Nacional

Reservatórios do nordeste caem abaixo do nível do apagão

Por Da Redação | Com AE e Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - Com os níveis dos reservatórios das hidrelétricas do Nordeste mais baixos do que nos meses que antecederam ao racionamento (junho de 2001), a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) reduziu a vazão de água do rio São Francisco. O objetivo da medida é reter a água em Sobradinho (BA), hidrelétrica que tem o maior reservatório da região. “Estamos com chuvas abaixo da média e adotando todas as medidas possíveis para economizar água”, afirma Mozart Bandeira Arnaud, diretor de operação da Chesf. “A energia que não for gerada em Sobradinho será suprida com termelétricas ou com maior transferência de outras regiões”, afirmou.

A redução da vazão foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e pela Agência Nacional de Águas (ANA). “É uma espécie de seguro hídrico para a região Nordeste’’, disse Oscar Cordeiro Netto, diretor da ANA. Ele afirmou que, apesar de uma possível redução (de 10 a 15 centímetros) no leito do rio, não deverá haver problemas para os outros usuários. A medida havia sido pedida pelo Ministério de Minas e Energia no final de dezembro, mas só entrou em vigor depois de negociada com outras entidades.

No sábado, a Chesf reduziu de 1.300 metros cúbicos por segundo para 1.200 metros cúbicos/s a vazão de água a partir de Sobradinho. No próximo sábado, haverá nova redução, e a vazão passará a ser de 1.100 metros cúbicos/s. A Chesf está autorizada a manter a vazão reduzida até o final de abril, quanto termina o período chuvoso e começa o seco. Um metros cúbicos equivale a 1.000 litros.

Anteontem (último dado disponível), os reservatórios das hidrelétricas da região Nordeste estavam com 28,2% de sua capacidade. Nessa mesma época do ano, em 2001, pouco mais de quatro meses do início do racionamento, os reservatórios do Nordeste contavam com 41,39% da capacidade (média de janeiro). As chuvas este ano estão bem piores do que em 2001. No ano do racionamento, no mês de janeiro, a região Nordeste registrava 71,6% da média de chuvas. Este ano, as chuvas estão em 39% da média histórica para o período.

Apesar da vazão menor, o governo avalia que não haverá impacto para a agricultura irrigada. Raimundo Deusdará Filho, diretor de Gestão dos Empreendimentos de Irrigação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), afirmou que a Codevasf limpará os canais que ligam o rio aos projetos de agricultura irrigada, para que, mesmo com vazão menor, a água possa chegar às lavouras. Além disso, a empresa instalará bombas flutuantes no rio para captar mais água.

Sudeste e Centro-Oeste

As chuvas da última semana contribuíram para a melhoria do nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, que vinham sofrendo com a estiagem do início do ano. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as barragens terminaram a semana passada com 48,1% de sua capacidade de armazenamento de energia, volume 2,1 ponto percentual acima do registrado no dia 1 de janeiro. No entanto, a recuperação pode ser freada nos próximos dias, devido a problemas na usina nuclear Angra 1.

A usina foi desligada por volta da 0h30 de ontem, devido a um superaquecimento no turbo gerador. Com potência de cerca de 650 megawatts (MW), Angra 2 tem papel importante no parque térmico brasileiro, uma vez que não enfrenta restrições no fornecimento de combustível.

A Eletronuclear informou que técnicos da empresa estão investigando as causas do problema e ainda não há previsão de retorno da usina ao sistema. A empresa destacou ainda que não há risco de vazamento de material radioativo. Mesmo com a recuperação dos últimos dias, o nível dos reservatórios continua 2,7 pontos percentuais abaixo da Curva de Aversão ao Risco (CAR), instrumento criado após o racionamento de energia de 2001 com o objetivo de aumentar o grau de segurança do sistema elétrico brasileiro. Depois que o nível das barragens bateu na CAR, o governo anunciou medidas para tentar conter o esvaziamento, como o acionamento, com óleo combustível, da térmica de Cuiabá.

As medidas só serão implementadas em fevereiro, mas, segundo o informativo diário da operação do ONS, a usina já operou nesse domingo, devido a disponibilidade de gás natural. Cuiabá foi responsável pela inserção de 141 megawatts (MW) no sistema durante o dia. Já a térmica bicombustível Sepé Tiaraju, no sul, que vinha operando em ritmo de testes, manteve uma potência de 91 MW anteontem.

Segundo o ONS, o volume de chuvas no Sudeste/Centro-Oeste está em 60% da média histórica este mês. A tendência, porém, é que a recuperação dos reservatórios se torne mais rápida nos próximos dias, pois as chuvas estão caindo com intensidade na cabeceira de importantes bacias hidrográficas das regiões, como as bacias do Paranaíba e do Rio Grande.

O governo mantém otimismo com relação à situação energética, ao reiterar que não há risco de racionamento no País, principalmente após a definição de um plano de emergência que prevê o aumento da geração térmica.