09 de julho de 2026
Geral

Cunhados se dividiam entre ideais e construção de casas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 1 min

Assim como Ernesto, Francisco, que faleceu aos 75 anos, também foi um idealista. É o que afirma a professora da rede municipal Alice Spetic, quinta filha do outro signatário da placa de madeira encontrada na casa demolida da Vila Bela.

Segundo Alice, o pai só não se filiou ao partido por insistência da esposa, que temia represálias por parte do governo militar. “Ele tinha ideais, mas também tinha dez filhos e não poderia correr o risco de perder o emprego, porque eles (os militares) ‘consumiam’ com os subversivos. Então, minha mãe nunca permitiu que ele participasse de nada“, revela.

Nascido na Áustria em 1912, Francisco veio com apenas 5 anos de idade para Bauru, onde naturalizou-se brasileiro. “Os pais dele decidiram vir para o Brasil à procura de melhores condições de vida”, conta Alice.

Funcionário da Noroeste do Brasil durante a semana, nas horas vagas ele fazia bicos como marceneiro e carpinteiro para engrossar o orçamento familiar. Em um desses trabalhos esporádicos, construiu a casa da rua Vital Brasil, em 1963, com a ajuda de Ernesto, que era casado com sua irmã Kreistin.

Na época, eles moravam na Vila Bela: Ernesto, aos 63 anos, residia na rua São Vicente e Francisco, então com 51 anos, na quadra 12 da rua Albuquerque Lins. Como eram, mais do que cunhados, grandes amigos, ao mesmo tempo em que erguiam as paredes da casa de madeira conversavam sobre os ideais do movimento comunista, sobretudo quanto ao receio em relação ao regime autoritário que ameaçava se instaurar no País e as possibilidades de combatê-lo.