08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Amigo Guido


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Você partiu e não avisou...

Na década de 60, quando minha falecida mãe, prof.ª Celina Lourdes Alves Neves, tinha a Escola Progresso, de Datilografia e Estenografia, havia um curso de Português e Matemática que preparava para o exame de Madureza, que hoje seria o Supletivo. Eis que fiquei conhecendo um moço 7 anos mais velho que eu, que estava ali para estudar e repor o tempo perdido, Guido Moraes Alves, e surge uma amizade que duraria muitos anos.

Minha mãe, como educadora que era, tinha um grupo teatral, e eis que o Guido cantava as canções antigas que ela tanto amava, daqui a pouco fazia parte do Grupo Teatral Gil Vicente, cantando e participando dos espetáculos que ela dirigia.

Fui fazer o Curso de Contabilidade no Senac, e Guido viria ser meu companheiro de carteira escolar durante três anos. Saíamos do Senac às 23h e de lá vínhamos a pé, eu, Brás Firmino, Borges, Genésio e Guido. Passávamos na padaria que existia na rua 7 de Setembro esquina com a Gerson França, e comprávamos pão da primeira fornada à lenha, e íamos para a minha casa, na rua Gerson França, 6-66, onde havia uma sala de aula de datilografia e ali rachávamos de estudar para entender os segredos da Contabilidade, até altas horas da madrugada.

Guido fez concurso para o INSS, e passou, sempre estudioso, educado, polido, foi galgando os degraus dentro da instituição chegando até a superintendente. Os anos passaram-se e às vezes encontrava o Guido e lembrávamos os bons tempos do Senac. Surpresas da vida, quando um belo dia estava na Seresta do Luso me deparo com o amigo Guido (diga-se de passagem,um dançarino excelente, conhecia tudo de dança), e batíamos um papo rápido, mas sempre comentando o trabalho paralelo que exercia em ajudar o próximo.

Minha mãe, já adoentada, por estar há muito na cama, teve “escaras” e para combater havia necessidade de uma pomada de alto custo, e lá vem o Guido novamente, fazer parte da nossa história, para atender a D. Celina, com presteza e rapidez, conseguia a pomada necessária para a cura completa da doença de que havia sido acometida. Soubemos de sua doença e do transplante de rim, o que o afastou das serestas por um longo tempo. Mas um guerreiro como era, retorna e eis que estava novamente na pista, dançando e se alegrando com a vida que Deus havia lhe dado.

Notificado pelo JC de domingo, ficamos sabendo do falecimento do amigo, não houve tempo suficiente para dar um adeus, mas através desta coluna venho dar o “adeus” do amigo, colega e principalmente do grande homem que foi enquanto esteve por aqui. À família e aos seus filhos Cristiane e Renato, meus ex-alunos, os meus pêsames.

Professor Carlos Alberto Alves Neves