08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Saudade do nosso tempo...


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Nós nascemos antes do radar, dos cartões de crédito, raio laser e canetas esferográficas. Antes das máquinas de lavar pratos, secadores de roupa, cobertores elétricos, ar-condicionado e antes do homem andar na lua. Nós casávamos primeiro e só depois morávamos juntos. Gente estranha, não? Nós nascemos antes dos direitos dos “gays” da “produção independente de filhos”, de terapia em grupo, dos spas, dos flats e dos carros a álcool. Nós nunca tínhamos ouvido falar em fita cassete, videocassete, máquina de escrever elétrica, videogames, computadores e rapazes de brincos.

Nos nossos dias se fumava cigarro, “erva era usada para fazer chá”, coca era refrigerante e “pó” era sujeira. “Embalo” era como se fazia as crianças dormir, “lambada” era chicotada, “fio dental” servia para a higiene bucal e “malhar” era coisa de ferreiro. Nós não contentávamos com o que tínhamos. Nós fomos a última geração tão boba, e ingênua a ponto de pensar que precisava de marido - mulher - para ter um bebê. Não é de se espantar que sejamos tão confusos e haja tamanha lacuna com as gerações. Mas nós vivíamos e continuamos a viver apesar das próximas invenções. Temos dentro de nós uma força intensa que não é invenção dos homens, nem privilégio dos novos tempos, Deus!...

João Álvares - Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa