Nairobi - As duas principais facções políticas do Quênia assinaram ontem um acordo para pôr fim à crise que atinge o país desde o final de dezembro, informou um porta-voz do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que atua como mediador. Os detalhes do acordo serão revelados por Annan em uma coletiva de imprensa hoje.
Na sexta-feira passada, o deputado de oposição William Rutto anunciou que o partido do presidente Mwai Kibaki havia aceitado formar o governo de coalizão. O objetivo seria acabar com os protestos dos opositores que afirmam que a eleição de Kibaki foi fraudulenta.
Rutto, que faz parte do Movimento Democrático Orange, disse que “finalmente os dois lados concordaram que o país enfrenta uma crise e que ambos precisam agir''. Um dia antes, o líder da oposição, Raila Odinga, se desculpou após afirmar que o presidente Kibaki deveria renunciar.
Durante uma reunião de bispos na capital do país, Nairóbi, o presidente Kibaki disse que se sente encorajado diante do progresso nos diálogos com a oposição e reiterou que ele e toda sua equipe “apóiam o processo”.
Violência
Os distúrbios no Quênia começaram em 27 de dezembro, quando a oposição acusou o governo de fraudar o resultado das eleições. Desde então, mais de 300 mil pessoas tiveram de abandonar suas residências e mais de mil mortes foram registradas.
Observadores internacionais criticaram o resultado das eleições e até mesmo o chefe da comissão eleitoral do Quênia disse publicamente que não sabe quem venceu as eleições.