09 de julho de 2026
Geral

Pedreiro suspeita de sumiço de ossada da mãe em cemitério

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Não bastasse a dor por ter perdido a mãe, há três anos, o pedreiro José Ferreira Figueiredo, 68 anos, passa agora por novo sofrimento. Ao procurar a sepultura da mãe, no Cemitério do Redentor, para que seus restos mortais pudessem ser transferidos para outro local, Figueiredo não a encontrou como disse ter deixado.

Nem a mureta que ele mesmo construiu e pintou, tão pouco a placa de identificação da cova, de número 28.335. No lugar, havia apenas terra, com aparência de ter sido movida recentemente.

Estes indícios levaram Figueiredo a crer que a ossada de sua mãe, Otacília Ferreira de Lima, tenha sido retirada do local, onde já teria sido colocado um novo corpo, sem que a família tivesse conhecimento. No entanto, o pedreiro reconhece que o prazo para que os restos mortais de sua mãe permanecessem no local venceu em 31 de janeiro deste ano. Isso porque Otacília foi sepultada na área assistencial do cemitério, utilizada para que famílias de baixa renda enterrem, pelo período máximo de três anos, seus parentes.

Cioso desta restrição temporal, Figueiredo foi, no último domingo, providenciar a transferência da ossada da mãe para o Cemitério Cristo Rei, onde a família já comprou uma sepultura perpétua. Ao localizar a cova que acredita ser de Otacília, ele encontrou um túmulo com um amontoado de terra nova.

“A mureta que eu construí foi derrubada e a terra foi remexida há pouco tempo porque ainda não assentou e também porque não tem mato crescendo. Ninguém avisou a família, nem tiveram tolerância para esperar”, reclama.

Sem identificação

Assim como a mureta, a placa de identificação do sepultamento e a presilha que a fixava no concreto também desapareceram. “Eles disseram que alguma criança deve ter roubado para aproveitar o alumínio, mas isso eu não aceito, porque o pino de ferro estava chumbado, só arrancariam na marreta. Eu acredito que eles demoliram a mureta e agora não sabem onde foi parar o resto”, diz Figueiredo, ameaçando ingressar na Justiça caso os objetos e a ossada da mãe não sejam encontrados.

Ele revela, inclusive, que a taxa de transferência dos restos mortais de Otacília já teria sido paga à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), órgão que administra o cemitério. No entanto, a quantia teria sido devolvida no mesmo dia, quando os funcionários se deram conta de que não saberiam identificar a sepultura a ser aberta para a retirada dos restos mortais.

“Nunca imaginei passar por uma situação dessas. Tenho certeza onde minha mãe foi enterrada, porque fui eu que fiz a mureta. A gente está aqui lutando há dias para encontrar. Mas do que eu construí, perante Deus, já não tem mais nada”, conta, emocionado.

Para a Emdurb, a cova onde Otacília foi enterrada está localizada em uma rua diferente da que Figueiredo teria indicado à reportagem. A empresa confirma que o prazo de permanência da ossada no cemitério venceu em 31 de janeiro, mas enfatiza que o túmulo de Otacília ainda não foi aberto.

Segundo a empresa, documentos apontam que a mulher teria sido enterrada na rua 6, onde duas valas vizinhas estão sem as placas com o número de identificação. A empresa argumenta que ambas as placas teriam sido furtadas ou levadas pela chuva e reconhece que, por isso, há uma dúvida quanto à exata localização da ossada.

Como a família aguarda o reconhecimento dos restos mortais da parente para transferi-los ao Cemitério Cristo Rei, a Emdurb se comprometeu a providenciar, o mais breve possível, a abertura das duas valas para a exumação dos ossos. O fato de Otacília possuir uma placa de platina na região da bacia deve facilitar o trabalho da empresa.