Luiziânia - O comerciante Raimundo Gomes da Silva, 61 anos, suspeito de ter abusado sexualmente e mantido em cárcere privado uma jovem de 19 anos, durante anos, em Luziânia (212 quilômetros de Goiânia), foi preso na manhã de ontem. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do acusado e aguarda a decisão da Justiça. Ele teria cometido também outros crimes, como assassinatos e receptação.
Segundo a policia, Silva foi localizado numa rodovia (GO-010), a 60 quilômetros de Luziânia, dentro de um ônibus com destino a São Paulo. Ele garantiu às autoridades que “não estava fugindo”. E que teria a intenção de se entregar à policia quando foi pego. Na delegacia, negou todas as acusações feitas pela jovem.
De acordo com a Polícia Civil, a jovem teria sido mantida em cárcere privado por ao menos cinco anos. Em depoimento no 1.º Distrito Policial do município, ela disse que começou a ser aliciada quando tinha dez anos e afirma ter engravidado duas vezes, no cativeiro. Segundo o relato, na saída da escola, recebia doces e presentes do homem - ambos moravam no bairro Sol Nascente.
Ainda de acordo com a jovem, ele começou a estuprá-la e ameaçá-la, dizendo que mataria a família dela caso ela revelasse algo. Como justificativa para manter a menina em sua casa, o comerciante lhe dava cerca de R$ 20,00 por semana. Ela disse ter sido orientada pelo comerciante a dizer à família que havia conseguido um emprego.
O caso foi denunciado à polícia no dia 4 de fevereiro. A jovem disse que fugiu após o homem ter levado uma surra de um credor e ter sido internado em um hospital. De acordo com a Polícia Civil, após a denúncia, a jovem foi colocada sob proteção até a prisão do idoso. A jovem contou que vivia num porão do bar, entre paredes mofadas, chão úmido e pouca ventilação, sendo seguidamente estuprada e espancada.
Gravidez
Com 13 anos, a garota ficou grávida, segundo seu depoimento. Ao descobrir, a família denunciou o caso à polícia. O homem então incendiou o barraco da família, que fugiu para Samambaia (DF). A jovem disse que, cerca de quatro meses depois, eles foram localizados pelo comerciante, que matou a mãe dela a facadas. Ela disse ter voltado para a casa do comerciante, ainda grávida, sob a ameaça de ter suas irmãs mortas. Disse que a partir de então pouco saiu de casa, e que só deixava o local na companhia dele.
Segundo ela, a filha deles também era vítima de abusos. A casa onde vivia, segundo a jovem, não tinha janelas nem porta de fundo. Havia muito material pornográfico no local, disse. A jovem afirmou ter ficado grávida novamente aos 16 anos e que o comerciante afogou a criança em um balde um dia após o nascimento, alegando que não queria um menino e enterrado o corpo no quintal.
Agora a policia faz levantamentos periciais em busca de vestígios do bebê e no corpo da jovem, que mostrou marcas de violência. O mais estranho do caso, segundo Dilamar, é que o comerciante mantém, num lote ao lado, mulher e filhos que garantiram à policia desconhecer o caso e jamais perceberam “algo estranho” com Silva e o bar.