“Invisíveis”, documentário que o Cinemax exibe hoje às 22h, traça um painel multifacetado de horrores de nossa época. Produzido pelo ator espanhol Javier Bardem e dirigido por cineastas de vários países, o filme celebra os 20 anos da organização “Médicos Sem Fronteiras” e em seus cinco segmentos aborda os diferentes males que atingem crianças e jovens da África e da América Latina.
Cada parte pode ser vista como um curta-metragem independente, com tema e linguagem específicos. Em “Crimes Invisíveis”, por exemplo, o alemão Wim Wenders trata das adolescentes estupradas em massa durante a guerra civil no Congo. É talvez o segmento menos programático e mais inventivo do documentário. Diante da câmera, de modo seco, monocórdico, essas mulheres marcadas contam suas escabrosas histórias, uma a uma, e vão desaparecendo da tela, deixando à vista apenas o vazio de seus casebres e vidas.
Já o espanhol Fernando León de Aranoa (de “Segundas-feiras ao Sol”) retrata em “Boa Noite, Ouma” as crianças convertidas em soldados na guerra em Uganda. Com suas armas enormes penduradas em ombros franzinos, elas não diferem muito dos soldados mirins do tráfico de “Cidade de Deus”. A também espanhola Isabel Coixet (de “A Vida Secreta das Palavras”), em “Carta a Nora”, volta seu foco para as vítimas anônimas da doença de Chagas na América Latina. São 18 milhões, segundo o filme.
A forma escolhida é a do docudrama: numa comunidade pobre da Bolívia, uma mulher tenta salvar o filho acometido pela doença. Como narração em “off”, ouvimos a carta em que ela conta a situação a uma parente que lhe manda dinheiro da Espanha. Os episódios terminam com uma mensagem política explícita, denunciando governos, indústrias, laboratórios farmacêuticos etc. pelas desgraças vividas pelos mais fracos. O tom é panfletário, mas o resultado, contundente.