Rio - A Polícia Federal (PF) informou ontem que a partir de agora a investigação sobre o furto de computadores e discos rígidos com dados estratégicos da Petrobras correrá sob sigilo (veja quadro). Além da PF, também investiga o caso a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). “Não vou comentar o assunto pois a investigação está sob sigilo. Todas as informações à imprensa serão repassadas pelas assessorias de comunicação da Polícia Federal quando for necessário”, afirmou a delegada da PF em Macaé (RJ) Carla de Melo Dolinski, presidente do inquérito.
Questionada sobre quem seria convocado a depor ou se a Petrobras e Helliburton enviaram à PF as informações solicitadas para prosseguir a investigação sobre o furto, Dolinski afirmou que não mais se pronunciará. A delegada disse anteotem à reportagem que não sabia ainda os nomes das pessoas que terá de interrogar. Disse ter enviado ofícios às empresas pedindo a relação de empregados que tiveram contato com o contêiner, mas nenhuma delas havia respondido.
Segundo a delegada, a PF trabalha com duas hipóteses no caso: roubo simples ou espionagem industrial. Dolinski afirmou ainda que o caso estava sendo apurado desde o dia 7, apesar de o furto ter sido informado no dia 1 de fevereiro.
O contêiner do qual as informações foram furtadas estava em um navio que partiu do porto de Santos (SP) no dia 18 de janeiro em direção a Macaé, município situado no Norte Fluminense, onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos. O contêiner chegou 12 dias depois - foi quando seguranças perceberam que o cadeado tinha sido violado. Além de avisar a polícia, a Petrobras informou ter realizado investigações internas. Ainda não se sabe, porém, em que trecho do trajeto teria ocorrido o furto.
A estatal não informou detalhes sobre o conteúdo dos dados roubados, nem se continham números sobre o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos, mas disse que possui cópias das informações. Por meio de nota, a Petrobras informou apenas que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. Segundo já confirmado pela PF, o contêiner era da norte-americana Halliburton - a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.
A Halliburton é uma das principais empresas prestadoras de serviços para o setor petrolífero do mundo e teve como um de seus executivos o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. O contrato com a Petrobras tem validade de quatro anos e valor de US$ 270 milhões.
Segundo a PF, apesar do contêiner ser da Halliburton, o trajeto final de transporte foi feito por uma empresa chamada Transmagno, com sede em Macaé.