09 de julho de 2026
Cultura

Eles reinventam o astral da cidade

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Eles têm uma maneira de se divertir, de se comunicar, de interagir com o ambiente onde moram, enfim, um jeito próprio de viver. Criam um “mundo” com a cara deles e transformam Bauru em sua casa. Os universitários têm sua maneira de fazer cultura com as festas em repúblicas, bandas universitárias e saraus. Têm seu jeito próprio de morar: as repúblicas e pensionatos. Longe de casa, dividem experiências com os amigos e fazem deles sua família. E os colegas que têm família na cidade acabam, também, vivendo essa realidade.

Onde vivem, o que fazem, o que gostam, o que pensam? A reportagem conversou com eles e “viveu”, novamente, como um universitário para descobrir.

Quando saem do aconchego da casa dos pais, sentem-se “perdidos” em uma cidade desconhecida. Ávidos por aprender coisas novas e se adaptar, fazem de tudo para se sentir em casa. “A gente vem com a cara e a coragem. No meu caso, por exemplo, não conhecia ninguém e não tenho nenhum parente na cidade”, conta Jorge Luiz Barbosa Maciel Júnior. Ele se formou em química recentemente e agora faz mestrado na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Assim como a maioria dos estudantes, Jorge escolheu morar perto da universidade por vários motivos. “Não precisava gastar dinheiro com transporte, ficava mais próximo dos amigos e se fosse necessário, conseguia chegar na universidade em poucos minutos”, conta.

O mesmo acontece nas outras universidades públicas e particulares de Bauru. Pensionatos e repúblicas ficam próximas do local de estudo e reúnem a maioria dos estudantes. E é por lá que eles organizam as festas, baladinhas e eventos culturais. É nas repúblicas e apartamentos que eles se reúnem para fazer trabalhos, para estudar e namorar.

Ao contrário do aconchego que encontram em suas casas, a rua e todo ambiente público é encarado como algo estranho para eles. Geralmente, andam em grupos e só conhecem seu bairro e a universidade.

Mas durante o curso, aos poucos, vão se familiarizando com a cidade e se adaptando a ela. Alguns até se atrevem a deixar a criatividade exposta nas ruas. As “marcas” dos universitários ficam espalhadas pela cidade, como uma maneira de se identificar com o “estranho mundo novo”. Em um ou outro muro, eles fazem grafitagem, colam figuras ou pintam com cores vibrantes.

É o caso do muro na quadra 20 da rua aviador Gomes Ribeiro. Universitários junto com moradores da periferia fizeram a grafitagem no local.

“Nosso trabalho é sem fins lucrativos, só para mostrar a cultura. O legal é que o único país onde a grafitagem é permitida é o Brasil “, afirma um dos fundadores da Sociedade Quebra-Cabeça (SQC), Rafael Francischini.

Outro grupo de estudantes gosta de fazer colagens em escadarias - a que fica em frente ao Parque Vitória Régia é a preferida deles - , muros e viadutos da cidade.

Ainda na avenida Nações Unidas, quem é que nunca viu a pedra gigante que fica próxima ao viaduto da avenida Duque de Caxias? A pedra transformou-se em uma joaninha amarela com bolinhas pretas por iniciativa de estudantes. Dentro da universidade, eles pintam paredes, bancos e salas de aula com desenhos que definem seus comportamentos e suas tribos.