A maior parte das pessoas que residem próximas ou ao lado de torres de sustentação de antenas deseja que as torres sejam retiradas do local. O problema é que a mudança da torre de local, além de onerosa para empresa, também deixaria os serviços oferecidos certamente fora do ar por alguns dias.
Maria do Socorro, que reside no Jardim Ivone a poucos metros de uma antena transmissora de rádio, conta que se mudou para o bairro na mesma época em que o equipamento estava sendo montado no local. “Desde então a gente luta para pelo menos conseguir diminuir as interferências nos aparelhos eletrônicos e no telefone, mas nada foi feito até agora”, reclama.
A moradora conta que já chegou a sonhar com o dia em que irá sair no quintal de sua residência e não ver mais a torre de cerca de 60 metros no local. “Ela realmente é um incômodo, não dá nem para falar ao telefone porque a programação da rádio atrapalha”, conta.
Os problemas de interferência, principalmente na telefonia fixa, também são relatados por outras pessoas que residem próximas às torres de sustentação das Estações de Rádio-Base (ERB). Silmara Aparecida Sampaio Guedes, que reside no bairro Granja Santa Cecília, também diz que ainda não se acostumou a ter como vizinha uma torre de 60 metros.
“Além do chiado constante na linha telefônica, existe ainda o medo de um incidente, uma queda ou o desprendimento de algum aparelho”, exemplifica. Guedes, que mora no bairro há oito anos, diz que ela e os vizinhos já entraram em contato com os responsáveis pela torre para solicitar algumas providências, mas nunca foram atendidos.
Josefa Maria Gomes, que tem sua residência no Jardim Ferraz, diz que mesmo residindo no local há mais de cinco anos ainda não conseguiu se acostumar com o barulho que as torres produzem com um vento forte. “Dá medo. Eles dizem que têm seguro, mas seguro nenhum traz alguma vida de volta”, avalia.
As torres de rádio, televisão, telefonia fixa e móvel e telecomunicações em geral estão espalhadas por toda a área urbana de Bauru. Em alguns bairros, como no Jardim Ouro Verde e Ferraz, a topografia os faz registrarem grande concentração dessas torres.
Como o alcance das ERBs de telefonia móvel é limitado, as torres de sustentação dessas antenas estão espalhados em diversos bairros da cidade. Algumas localidade chegam a ter duas ou três torres dessas estações. A Vila Cardia pode ser tomada com exemplo. O local possui ERBs das três operadores de telefonia celular em operação no Estado.
Se algumas pessoas não conseguem se acostumar com a presença dessas torres tão próximas de suas residências, outras já se acostumaram e dizem não ver nenhum tipo de problema. Natanael Batista, que reside no Parque Roosevelt, região noroeste da cidade, se inclui nesse grupo. O morador não reclama de ter bem em frente a sua casa duas grandes torres que sustentam as ERBs da telefonia fixa na cidade.
“Resido nesse mesmo local há mais de 25 anos e nenhum incidente grave aconteceu nesse período”, relata. Para ele, a presença dessa torres próximas às residências é o valor que as pessoas precisam pagar para ter à sua disposição a comodidade de hoje em dia.
Maria Regina Muzardo, que construiu sua casa próxima de uma dessas torres na Vila Cardia, conta que procurou se informar sobre seu maior medo: os raios. Segundo ela, um técnico amigo seu garantiu que as torres não influenciam em nada o número de descargas elétricas que caem sobre um local.
“Não digo que não é possível que uma dessas torres venha à baixo, mas nessa vida vivemos sujeitos a tantas coisas no dia-a-dia que essa possibilidade não me assusta”, garante Muzardo.
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Concentração
Os jardins Ferraz e Ouro Verde e a Grande Santa Cecília são os locais hoje em Bauru onde existe a maior concentração de torres de sustentação de antenas. Nesses bairros, estão dez das 14 antenas transmissoras e retransmissoras de TV autorizadas pela Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) para funcionar no município. Além delas, há a antena de uma emissora de rádio.
Nesses bairros não existem torres utilizadas para o serviço de telefonia, mas segundo José Eduardo Marti Cappia, engenheiro em eletrônica, uma estação não atrapalha o funcionamento de outra, desde que as duas estejam de acordo com as normas da Anatel.
Segundo Cappia, uma torre poderia até ser utilizada para abrigar duas ou três Estações de Rádio-Base (ERBs), mas tudo dependerá de um acordo entre as empresas para a utilização de uma mesma torre e que a estrutura dela suporte as estações.
Essa medida poderia diminuir de forma significativa o número de torres espalhadas pela cidade. Em municípios menores, onde existe apenas uma torre de sustentação de responsabilidade da prefeitura, uma torre chega a sustentar diversas ERBs retransmissoras de sinais de TV.
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Localização é essencial
O local onde uma torre de sustentação de um Estação de Rádio-Base (ERB) é instalada pode ser determinante para que o sinal da emissora de rádio ou televisão e até mesmo da operadora de telefonia móvel chegue com maior qualidade até o receptor final. Isso explica a concentração de antenas instaladas em alguns regiões da cidade e a escassez dessas torres em outras áreas.
Outro fator importante é a área livre existente para a propagação do sinal. No caso da televisão, os jardins Ferraz e Ouro Verde e a Granja Santa Cecília oferecem todas as características necessárias para que o sinal tenha um excelente desempenho. As emissoras de rádio freqüência modulada (FM) seguem basicamente a mesma regra. Quanto mais alto e amplo o terreno, o sinal consegue se propagar melhor.
Já emissoras de amplitude modulada (AM) são diferentes, os locais escolhidos são os mais baixos e em área alagada, o que ajuda na propagação do sinal. Para a telefonia móvel, a localização não influencia muito, já que cada ERB tem seu alcance máximo definido. Isso explica o número de torres que abrigam estações de telefonia fixa no município.