10 de julho de 2026
Bairros

Legislação favorece segurança da população

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Tudo que envolve antenas é mito. Esta é a opinião de José Eduardo Marti Cappia, engenheiro eletricista com habilitação em comunicação eletrônica e eletrotécnica. Com base em sua experiência e conhecimento, ele afirma que a maioria dos medos das pessoas que residem próximos às torres não tem razão de existir.

De acordo com o engenheiro, nenhuma antena ou torre pode atrair um número maior de concentração de descargas elétricas, por exemplo. “Não dá para saber qual local é mais atingido ou não. É certo que os pára-raios instalados nessas torres evitam e bastante que essas descargas caiam sobre as residências próximas”, afirma.

No caso da interferência das antenas no funcionamento de aparelhos eletrônicos de uma casa, ele lista duas causas: a primeira é desacordo da regulagem das Estações de Rádio-Base (ERB) em desacordo com as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicação; a segunda pode envolver o tipo de aparelhos eletrônicos que a família possui em casa. “Muitas pessoas reclamam da interferência das antenas de rádio FM nos telefones fixos, isso realmente pode acontecer se o aparelho não for de boa qualidade e não for certificado. Neste caso, o problema não está na antena, mas sim no aparelho”, garante Cappia.

Quanto à exposição humana a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos, o engenheiro diz que é possível provar danos reais à saúde das pessoas. De acordo com ele, as pessoas estão diariamente em contato com esses riscos. Seja em casa, no trabalho ou mesmo na rua. “Só vamos saber os reais danos à saúde das pessoas daqui há 20 ou 30 anos, quando poderão aparecer alguns casos, mas isso é uma suposição e não quer dizer que esses casos realmente vão parecer”, explica o engenheiro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as pessoas não se exponham por muito tempo a esse tipo de radiação. “Por exemplo, no uso do celular, o tempo máximo recomendado para uma ligação é de seis minutos, depois essa exposição já pode se tornar perigosa”, lembra Cappia.

De acordo com o engenheiro, que trabalhou em Bauru durante muitos anos, a lei brasileira é bastante rígida e as leis municipais em vigor na cidade também são bem formuladas. Cappia lembra a queda de torre de telefonia, como ocorrida em 2002, podem acontecer sempre em qualquer lugar, mas leis garantem maior segurança para a população residente próxima às torres.

“É praticamente impossível que uma torre venha a cair para os lados, geralmente cai sobre sua própria armação”, explica Cappia. Ele conta que para a instalação de uma dessas torres é realizado um estudo demorado sobre a posição e freqüência do ventos no local. A medição é feita mesmo que à distância diariamente pelo técnico responsável. “Se a freqüência dos ventos é de em média 60 quilômetro por hora, como em Bauru, a estrutura da torre a ser instalada será para suportar até o dobro dessa velocidade”, conta.

De acordo com Cappia, o número de torres poderia ser reduzido em cidades do porte de Bauru. Ele explica que uma torre pode servir de sustentação para uma ou mais ERBs, mas a concorrência entre as empresas impede que essa parceria aconteça.

Com o mercado de telecomunicações cada vez mais aberto, Bauru pode receber cada vez mais novas torres e aumentar ainda mais o temor das pessoas que residem próxima desses locais.

O JC recebeu informação em off que uma quarta empresa de telefonia móvel deve começar a operar no Estado ainda este ano e que pretende instalar cerca de 20 novas torres em solo bauruense.