10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Teste de transgenia usará planta jovem

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

A Votorantim deverá plantar poucos pés de laranja transgênica na fazenda Ventura 2, que fica entre Bauru e Piratininga, como adiantou o JC no suplemento Rural de ontem. De acordo com Ana Cláudia Rasera, sócia-diretora da Alellyx Applied Genomics, empresa de pesquisa da Votorantim Novos Negócios, assim que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovar o teste, a próxima fase da pesquisa será iniciada. Porém, ela afirma que a área de plantio será pequena e os pés não chegarão a dar frutos.

O objetivo do plantio é tentar reproduzir em ambiente aberto os resultados de resistência às pragas obtidos em estufas controladas. “Será um teste pequeno, bem experimental. Até atingirmos a outra fase deverá levar ainda uns cinco anos. Muitos testes ainda serão feitos”, explica Rasera.

Todos os passos da pesquisa precisam ser autorizados pela CTNBio e obedecer uma série de medidas de biosegurança. No ano passado, os pesquisadores obtiveram a liberação da área para o cultivo. Agora, aguardam para dezembro a liberação do plantio no local autorizado.

Nessa primeira fase de testes no meio ambiente, as plantas não chegarão à maturidade. “Não estamos nem pensando ainda na qualidade do fruto. Não será permitido que as plantas floresçam e dêem frutos”, observa Rasera. Serão plantas jovens, que deverão viver no máximo por dois anos.

A intenção é observar como as laranjeiras transgênicas se comportarão ao ar livre. “O nosso foco é checar em campo se reproduzimos os bons resultados obtidos em laboratório”, destaca. O teste também deverá ser repetido em outras regiões para avaliar o comportamento da planta em climas diferentes.

De acordo com Rasera, a laranjeira transgênica deverá ser resistente a duas pragas: greening e leprose. “Para combater estes dois problemas, os agricultores aplicam muito inseticida. Com o desenvolvimento destas variedades, a produção e a qualidade do suco serão melhorados”, pondera. Para ela, se a nova variedade tiver sucesso, poderá até acabar com o uso de agrotóxico. “Com o uso desta tecnologia, isto pode até ser mitigado. Melhora o ambiente e populações de pássaros podem voltar”, avalia.

Para Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru, culturas transgências são o futuro. “É um caminho sem volta. As vantagens são várias: econômicas, sanitárias, ecológicas”, relaciona. Ele destaca o desenvolvimento da pesquisa contra o greening. “É uma praga que mata, acaba com a plantação e não se consegue exterminar. E se os testes derem certo, Bauru fará parte dessa evolução na cultura de laranja”, ressalta.