Lixo e entulho foram incorporados à paisagem da rua 19, na verdade a avenida de acesso do Núcleo Habitacional Mary Dota à Quinta da Bela Olinda. Os detritos foram lançados às margens da via, ao longo de um trecho que chega a um quilômetro de extensão. Quem passa pelo local observa vestuários, calçados, material orgânico, cama, sofá, embalagens e até remédio.
Embora a área aparentemente esteja isolada, o acúmulo de material irradia problemas para ruas das imediações, como é o caso da Pedro Salvador. Num dos imóveis, moradores das imediações já mataram três cobras. Em outros, a visita de aranhas e escorpiões não é rara, informa Iara Cristina Vicente, irmã da proprietária de uma residência da rua.
“Os próprios moradores jogam lixo. Falta consciência. Largam até na frente da casa da gente”, comenta a comerciante Marly Nicolini de Souza, que mora na quadra 2 da mesma rua, onde também funciona uma loja. Quando ela fecha o estabelecimento, ela coloca panos no chão de forma a vedar a fresta da porta para evitar a entrada de insetos.
“Por causa do mato alto, as pessoas jogam muita coisa. Se estivesse limpinho, inibiria um pouco. A prefeitura deveria limpar”, comenta o zelador Paulo Cesar Monteiro, vizinho das outras duas. Mas a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) apenas promoverá a limpeza do canteiro central da avenida quando terminarem os serviços em outras regiões da cidade.
No canteiro central, no entanto, o acúmulo de lixo não é expressivo. As demais áreas ao longo da rua 19 são de propriedade particular e os responsáveis já foram notificados para realizarem o serviço de manutenção, informa a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), por intermédio da assessoria de imprensa da prefeitura.
Ontem, funcionários da Semma trabalharam na região do Jardim Jussara.
Quantos buracos? - Passar de carro pelo quarteirão 2 da rua Antônio Pereira, na Vila Rocha, e não cair em nenhum buraco é tarefa quase que impossível. Um morador da via calcula que são cerca de 30 buracos num trecho de cerca de 100 metros. Há quem sugira até placas indicativas de “velocidade controlada por buracos”.
É rua? - A distância, o quarteirão 1 da rua Lindolfo Ribeiro de Seixas, no Parque Santa Cândida, parece apenas um terreno baldio. Mas, por incrível que pareça, é rua e trajeto de ônibus. É lá que fica o ponto final do circular no bairro. Mas por causa das condições da via, Marinalva Pereira da Silva, moradora do bairro, reclama que nem todos os ônibus chegam ao ponto final. “Eu tenho que andar quatro quadras e pegar o ônibus lá em cima. Mas o motorista da outra linha, passa. Então a gente nunca sabe onde o ônibus vai parar”, relata. A assessoria da Transurb, que reúne as três empresas que operam no transporte coletivo de Bauru, explica que isso ocorre porque, quando o motorista informa que as condições da rua estão ruins, um fiscal vai ao local. Se confirmar a situação, suspende o trajeto do ônibus no trecho, mas pode retomar no mesmo dia, após nova inspeção.
Rali – A rua de terra, sinuosa e com obstáculos nas laterais, mais parece uma trilha de rali. Assim está o quarteirão 8 da rua João Sotero de Castro, na Vila Industrial. Alzira dos Santos Pedroso, que mora na via, conta que motoristas, para desviar dos buracos e obstáculos, invadem o espaço que seria a calçada - mas também é mato.