Minha sobrinha Bia viajaria com a família e eu cuidaria de Sebastião, seu peixinho.
Assim aconteceu. Na casa, procurei pelo aquário. Surpresa, Sebastião estava sozinho. Tratei e fui embora revoltado, pensando: “Como Bia pode deixar sozinho seu lindo peixinho? Vai levar bronca quando chegar”.
Passaram-se os dias.
- Bia, o Sebastião morrerá de solidão. Ficará sozinho até quando? Não tem coração?
- Calma tio, você entende de peixe?
- Não, mas sei o que é solidão.
- Tio, ele é um Betta, agressivo, não aceita companhia, se colocar outro no aquário briga até morrer. Sebastião é um peixe bem complicado.
Silenciei.
Não imaginava que ele fosse tão complicado. Não tirava da cabeça o tal peixe.
Admirado, percebi: complicado não é só Sebastião.
As pessoas, meu Deus, as pessoas.
Existem pessoas lindas e solitárias; agressivas e muito complicadas. Por quê?
Aprofundei meus pensamentos...
São medrosas, é isso!
Ocultam o medo atrás da agressividade. Medo de amar, de abrir o coração e se machucar, de dividir seu espaço e perdê-lo, de dar mais um passo e cair, de se transformar.
Não percebem que a dor que tentam evitar não existiria, ou seria menor que a intensa dor que se acostumaram e passam diariamente. O medo de ter uma dor maior as impedem de perceber boas pessoas que se aproximam, que dividiriam a vida com elas, que dariam a vida por elas e então as agridem, as afugentam.
Convivem com a solidão. Lindas por fora horrendas por dentro, complicadas, não aprenderam amar.
O amor protege, cria energia positiva em nossa volta, atraindo pessoas maravilhosas que nos amarão sem pedir nada em troca. Amarão porque são amadas por nós.
O amor revigora, dá força, renova, nos transforma em pessoas fortes e corajosas. Amar e ser amado eleva nossa auto-estima. E com ela enfrentamos os medos.
Heureca... Aprender a amar... É só isso!
- Bia, temos uma missão: precisamos ensinar urgente o peixinho Sebastião amar.
O autor, Átila Quaggio Coneglian, da Dupla Átila e Rosi, é colaborador de Opinião