Enfrentar uma sala com alunos desmotivados pode ser um dos piores pesadelos para um professor. A aula não rende, os alunos não aprendem e o ambiente fica chato. Para piorar, os estudantes fingem que aprendem e os mestres fingem que ensinam.
No entanto, existem os educadores que não se conformam com essa situação e fazem de tudo para tornar as aulas mais atraentes. Além de ganhar a atenção dos alunos, ganham também a simpatia deles e passam a ser queridos na escola.
Os recursos usados para isso são os mais variados, a ponto do professor de literatura Luiz Vitor Martinello, 60 anos, dizer que descobriu outras habilidades nessa busca incessante. “Eu sou um pouco palhaço. Eu gosto de brincar, de declamar uma poesia em voz alta, de chamar o aluno para frente, de trabalhar em conjunto. Ao invés de escrever na lousa, eu entrego a aula pronta em uma folha de papel e aproveito o tempo que economizei para conversar com os alunos”, relata.
Na opinião dele, o professor tem sempre de procurar um jeito de tornar a aula interessante. “Se não funcionou de uma forma, tem de procurar outra”, recomenda. Para Martinello, o professor é querido quando ele consegue despertar no aluno a vontade de aprender. E uma das maneiras de fazer isso, além de tornar a aula mais atraente, é mexendo com a auto-estima do aluno.
“Eu tenho o costume de dar meio ponto na média quando o aluno faz observações pertinentes e dá respostas inteligentes.” O efeito disso, segundo ele, é impressionante. “Na prática, esse meio ponto não significa grande coisa, mas tem um efeito tremendo na auto-estima do aluno. Ele se sente capaz de dar respostas e se sente motivado a aprender mais”, conta.
Na opinião da professora de língua portuguesa Gisele Parreira, 37 anos, houve uma ampliação do papel do professor dentro da sala de aula. Não basta apenas transmitir conhecimento, é preciso também saber lidar com o emocional do aluno, ser quase um psicólogo dentro da escola. “Acredito muito na educação pelo afeto”, afirma. “Quando os alunos apreciam aquilo que estão estudando, eles passam a gostar da matéria.”
E quando somente o afeto não resolve? “Se não é pelo amor, vai pelo humor. Brinco muito com eles. Foi uma saída que eu encontrei e que eles curtem muito”, diz. “Precisamos evoluir como professores. Hoje, o entretenimento está por todo lugar. Temos de saber lidar com isso”, comenta. “Quando me dei conta disso, eu senti que minhas aulas melhoraram”, confessa Gisele, que está no magistério há 16 anos e reconhece que, no início, suas aulas eram chatas. “Eu era brava e não havia empatia com os alunos.”
E os alunos realmente parecem aprovar essa “metodologia” de ensino. Ex-aluna da professora Gisele, a estudante Jéssica Pagan Faria, 15 anos, diz que sempre teve “aulas gostosas” com ela. “Infelizmente, ela não dá mais aulas pra mim. Ela sabe conciliar a realidade com os estudos, falando sobre nossas vidas e sobre a matéria ao mesmo tempo”, lembra.
Luiz Marcel Stancari Klein, 17 anos, aluno do 3º ano do ensino médio, cita o professor de biologia, que sempre que entra na sala cumprimenta aluno por aluno nas carteiras. “Além disso, a maneira como ele ensina, a psicologia e as brincadeiras que ele faz não deixam a aula cansativa”, relata.
Todo professor que se comunica bem com os alunos, que é engraçado, sabe entender o lado do aluno (porque não é fácil ficar sentado ouvindo horas os professores falarem, muitas vezes sem pausa) e oferece uma aula mais relaxada e dinâmica, acaba ganhando a ‘preferência’”, diz Jéssica.