08 de julho de 2026
Geral

Papéis invertidos: escola deve mudar

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Historicamente, o aluno sempre teve de se adaptar aos padrões de ensino da escola. Mas parece que agora quem tem de se adequar ao sistema é a escola. Pelo menos essa é a opinião da professora e doutora em educação Alexandra Bujokas de Siqueira, 34 anos. Na avaliação dela, o formato das aulas está um tanto quanto ultrapassado.

“O adolescente de hoje convive muito com as novas tecnologias, como a Internet, que tem uma linguagem bastante dinâmica. Então, quando ele chega na sala de aula, o professor ainda trabalha com uma linguagem muito tradicional, focada no texto impresso, ainda passa o ponto na lousa e faz os alunos copiarem no caderno. São coisas ultrapassadas”, afirma.

“Às vezes, o conteúdo da aula é interessante, mas o modo e a linguagem que o professor usa para tratar esses assuntos não combina com a linguagem que o adolescente domina”, aponta a professora, que trabalha com pesquisas na área de mídia e educação. Segundo ela, se professores e alunos não falam a mesma língua, obviamente não há comunicação entre eles.

Para Alexandra, os professores também estão perdendo o compasso tecnológico. Na avaliação dela, a formação dos professores, em geral, não acompanha algumas mudanças culturais que ocorreram principalmente da metade dos anos 90 para cá, que é a popularização da tecnologia.

Por outro lado, se a linguagem dos jovens e adolescentes de hoje é mais dinâmica, ela peca por ser também muito superficial, segundo Alexandra. “Ela prende a atenção num nível muito superficial. E isso leva os jovens a ficarem observando sem refletir muito sobre o que estão vendo.”

A escola, por sua vez, exige uma atitude mais reflexiva. É um processo mental que se não é desenvolvido desde a infância, quando o aluno chega na adolescência tem sérias dificuldades para exercê-lo. “Se a pessoa não tem a prática de fazer isso e de repente é cobrada, ela tende a rejeitar porque não sabe fazer aquilo”, argumenta a professora.

“Como cobrar do adolescente que ele estude, que se debruce sobre os livros ou que ele reflita sobre determinado assunto se ele passou a vida inteira assistindo à televisão de maneira superficial, sem ter tido uma única discussão sobre grandes assuntos com os pais?”, analisa.

Para Alexandra, a desmotivação dos estudantes não é somente culpa da escola e de seus métodos ultrapassados de ensinar, mas também dos pais, que, segundo ela, têm papel importante na motivação dos filhos para querer aprender. “A escola tem responsabilidade, mas não é a única, os pais também têm”, afirma ela.