Bariri – Duas décadas após a sua falência, os equipamentos da antiga indústria de óleo vegetal Resegue devem ser colocados a leilão ainda neste ano em Bariri (56 quilômetros de Bauru). A síndica responsável pela massa falida da empresa, que chegou a ter mais de mil funcionários, pretende vender o que sobrou para quitar as dívidas com os credores.
A Indústria Resegue de Óleos Vegetais Ltda. entrou com processo de pedido de concordata em 1987, sendo que sua falência só foi decretada pela Justiça em 1989. Com dívida estimada entre R$ 400 milhões a R$ 500 milhões em valores atuais, bancos, fornecedores e ex-funcionários aguardam o leilão dos bens da empresa com a esperança de receber a parte a que têm direito.
A má notícia, no entanto, é que o montante a ser arrecadado no leilão não deve ser suficiente para cobrir as dívidas com os credores. De acordo com o advogado Evandro Demétrio, que presta serviço em Bariri de procurador para a síndica da massa falida da indústria, a lei de falências prevê uma ordem de preferência para quitar com os credores.
“Na escala para receber, primeiro entrariam os créditos em restituição (bancos), depois viriam os encargos da massa - despesas para fazer o processo de falência com o síndico para tocar o processo - depois entrariam as verbas de indenizações de acidente de trabalho, créditos trabalhistas (ex-funcionários), parte fiscal - créditos fiscais da União, do Estado e município -, os créditos de garantia real e depois os credores comuns”, detalha o advogado.
Enquanto os créditos devidos aos ex-funcionários giram em torno dos R$ 800 mil, a dívida com os bancos está entre R$ 120 milhões a R$ 130 milhões. “Pelo que estamos sabendo até agora, quem praticamente iriam receber seriam os bancos que têm os créditos em restituição, contrato de adiantamento de câmbio. Esses bancos teriam hoje mais ou menos uns R$ 120 milhões a R$ 130 milhões para receber”, revela Demétrio. “E os créditos apurados até agora para a massa seriam em torno de uns R$ 70 milhões. Pagaria estes primeiros credores e não sobraria praticamente mais nada para ninguém”, completa.
Atualmente, está sendo feita uma avaliação para determinar o valor mínimo dos bens que serão leiloados pela Justiça. A maior parte deles é constituída de maquinários, como caldeiras, esteiras e balanças além dos cilos. “Por enquanto são os equipamentos que vão a leilão. Eles podem ser desmontados sem que haja danos estruturais. Foi feita uma avaliação mínima mas, como eles estão fazendo uma correção de valores, ainda não foi divulgado o valor final”, explica. “Foi feita uma apresentação em São Paulo do valor, mas o perito ainda não chegou à finalização do valor para fazer o edital tanto do imóvel quanto dos equipamentos”, diz.