Brasília - A oposição estabeleceu a data de hoje como prazo para a definição, pelo governo, do impasse em torno da presidência da CPI mista (com deputados e senadores) dos cartões corporativos. DEM e PSDB ameaçam forçar a instalação da CPI apenas no Senado caso não conquistem um dos cargos de comando da comissão. “Nosso prazo é amanhã, não passamos disso. Do contrário, tomaremos as nossas providências”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que a oposição vai encontrar uma “saída” para viabilizar as investigações caso o impasse com o persista. “Se o governo nos impedir de cumprirmos o nosso papel, vamos encontrar a maneira de fazê-lo”, ameaçou Guerra.
A oposição contesta o argumento do presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que pretende instalar a CPI do Senado somente depois de uma definição sobre a presidência da comissão mista. “O presidente Garibaldi tem que obedecer o regimento. Não pode dizer que não vai fazer a leitura (do requerimento de instalação da CPI), que tem que acontecer de todo jeito. O presidente Garibaldi precisa transferir o apelo dele ao Palácio do Planalto”, disse Agripino.
Do outro lado das negociações, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse acreditar na solução do impasse com a oposição. Mas afirmou que não há prazo para que o governo decida se vai abrir mão, ou não, da presidência da CPI mista dos cartões. “Eu continuo trabalhando na busca do acordo, ainda acho que é o melhor caminho. Eu comuniquei ao presidente do PSDB que não mudamos de posição, a nossa busca é pelo entendimento”, disse.
A oposição não descarta lançar o nome do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) para presidir a CPI mista dos cartões, mas Agripino cobrou cautela até que o governo defina se vai ceder o cargo à oposição.
“O Jarbas é a nossa segunda alternativa. A primeira é entregar a presidência à oposição e nós definimos quem indicar. Essa conta pertence aos partidos de oposição, se não teremos que indicar o Jarbas”, disse Agripino. Para Guerra, Jarbas é um “excelente nome” capaz de garantir credibilidade às investigações da CPI.