09 de julho de 2026
Internacional

Oscar celebra europeus e irmãos Coen

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Os maiores astros e estrelas de Hollywood ficaram em segundo plano no Oscar 2008, que teve quatro europeus e os irmãos Coen como principais vencedores por filmes aclamados pela crítica, mas cujo sucesso nas bilheterias foi apenas moderado. O violento drama “Onde os Fracos Não Têm Vez” recebeu quatro prêmios da Academia no domingo, mais do que qualquer outro produção, incluindo os de melhor filme, direção e roteiro adaptado, entregues aos irmãos Joel e Ethan Coen.

O quarto prêmio do filme, o de melhor ator coadjuvante, ficou com o espanhol Javier Bardem, pelo papel de matador de poucas palavras. Foi o primeiro Oscar dado a um ator espanhol nos 80 anos de história dos prêmios mais importantes do cinema mundial. Depois de agradecer em inglês aos Coen e a seus colegas de elenco, Bardem passou a falar em espanhol, dedicando o prêmio à sua mãe, a atriz Pilar Bardem, que estava na platéia.

“Mamãe, isto é para você, para nossos tios, para nossos avós que trouxeram dignidade para os comediantes da Espanha”, disse o primeiro ator espanhol a vencer o prêmio - ele já havia concorrido ao troféu em 2001, por “Antes do Anoitecer”.

O britânico Daniel Day-Lewis recebeu o Oscar de melhor ator pelo papel de um explorador petrolífero do início do século 20 cuja ascensão à riqueza e ao poder cobra um preço caro de sua alma. Ele já tinha recebido vários outros prêmios pelo papel. A inglesa Helen Mirren, vencedora como melhor atriz em 2007, entregou o prêmio de melhor ator ao seu compatriota Daniel Day-Lewis, em uma previsível vitória por sua interpretação de um pioneiro do petróleo em “Sangue Negro”. “É o mais perto que vou chegar de virar um cavaleiro”, disse Day-Lewis.

Tilda Swinton, também britânica, surpreendeu ao ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo papel de advogada inescrupulosa em “Conduta de Risco.” A australiana Cate Blanchett era vista como favorita, por representar Bob Dylan em “Não Estou Lá”.

Marion Cotillard foi considerada a melhor atriz por encarnar a cantora Edith Piaf em “Piaf - Um Hino ao Amor”, tornando-se a primeira francesa a receber o Oscar desde Simone Signoret, em 1960. A favorita na categoria era Julie Christie por “Longe Dela”. Muito emocionada, Cotillard recebeu o troféu das mãos de Forest Whitaker (vencedor como melhor ator em 2007) e dedicou-o ao diretor Olivier Dahan.

“Obrigada, vida, obrigada, amor. E é verdade que há alguns anjos nessa cidade”, disse, antes de sair chorando do palco, ao lado de Whitaker. Foi o segundo prêmio de “Piaf”, que também teve a melhor maquiagem, para Didier Lavergne e Jan Archibald.

Essa foi a primeira vez desde 1964 que os quatro prêmios de atuação foram dados a artistas de fora dos EUA, país da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar.

No final, foram os irmãos Coen, nascidos e criados no Minnesota, os maiores vencedores. Baseado num romance de Cormac McCarthy sobre uma transação de drogas no sul do Texas que dá errado, seu filme fala da decadência moral da sociedade americana. Foi um dos quatro filmes sombrios que competiram pelo Oscar de melhor filme.

Não é de hoje que os Coen, que receberam um Oscar pelo roteiro do idiossincrático “Fargo”, de 1996, trabalham fora do sistema tradicional dos estúdios de Hollywood. Apesar de sua bilheteria norte-americana relativamente modesta, de apenas US$ 64 milhões, “Onde os Fracos Não Têm Vez” vem sendo o maior sucesso comercial dos 12 longas que eles já fizeram.

Ao receber seu Oscar, Joel Coen falou de como ele e Ethan fazem filmes desde que eram garotos, contando que, na década de 1960, seu irmão levou uma câmera ao aeroporto para fazer o filme amador “Henry Kissinger, Man on the Go”. “Honestamente, o que fazemos hoje não nos parece muito diferente do que fazíamos naquela época”, ele brincou.

O segundo maior vencedor da noite foi “O Ultimato Bourne”, que ganhou em três categorias técnicas: edição e mixagem de som, além de montagem.