09 de julho de 2026
Bairros

Escorpiões invadem casas no Redentor

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A rotina diária da funcionária pública municipal aposentada Maria José dos Santos é quase paranóica. Todos os dias, ao se levantar da cama, ela sai andando pelos cômodos da casa olhando para o chão. Após o banho, chacoalha bastante a toalha para poder se enxugar. Antes de dormir, retira a colcha, todos os lençóis e travesseiros, agita tudo e coloca-os de volta na cama.

Apesar de parecer loucura, as medidas são apenas precaução pelo receio de um ataque inesperado de escorpiões, que invadem a casa da aposentada quase diariamente. Ela reside em frente ao Cemitério do Redentor, local apontado pelos moradores das imediações como criadouro desses aracnídeos.

Há menos de duas semanas, funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ‘caçavam’ os bichos na necrópole. Em menos de um dia de trabalho, eles somaram mais de 140 animais, que se proliferam nas fendas dos jazigos e em tijolos amontoados.

Cansada de ver a casa ser invadida pelos escorpiões, Maria José instalou telas nas janelas e portas de sua residência e vedou os ralos dos banheiros com sacos de areia. “Quando vou tomar banho, tiro o saco. Acabou o banho, ponho ele de volta. Essa é a rotina, não tenho sossego”, reclama.

Mesmo assim, a proteção não deteve a entrada indesejada dos aracnídeos. “Essa semana, a faxineira limpou a casa toda, passou pano no chão e colocou veneno. Logo depois, apareceu um escorpião enorme. A casa está sempre limpa, mas mesmo assim eles vêm, não sei de onde”, observa.

Situação semelhante vive o vizinho de Maria José, o comerciante João Delarmelindo, que mora com a esposa, uma filha e dois netos. Ele conta que todos da família já foram picados por escorpiões. “Só eu fui atacado duas vezes. A dor é muito forte e dura pelo menos 24 horas. Tenho uma mancha na mão até hoje por causa da ferroada”, comenta.

Em todo lugar

Segundo Delarmelindo, mesmo com todos os cuidados que tomam, os dois netos, de 11 e 13 anos, foram picados no ano passado, em um intervalo de menos de um mês. “Um neto foi mexer na mochila e tinha um escorpião escondido dentro. O outro foi ferroado enquanto dormia. Eu também estava dormindo quando fui atacado pela primeira vez. Da outra, fui calçar o tênis e o bicho picou meu pé”, diz, revelando que nem mesmo o uso diário de inseticida garante o sossego da família.

O comerciante afirma que, pelo menos uma vez na semana, um desses animaizinhos aparece em ‘visita’ à casa. “A gente tem de ficar sempre alerta, em qualquer coisa que vá fazer. A gente fica imaginando onde eles poderiam estar e faz tudo com cuidado para evitar acidentes”, conforma-se.

De acordo com a assessoria de imprensa da Emdurb, a última detetização no Cemitério do Redentor foi realizada em 21 dezembro e deveria prolongar sua eficiência até 20 de março. A empresa reconhece que o problema no local é antigo e argumenta que está trabalhando para resolver o problema.

Como a dedetização tradicional até agora não surtiu o efeito desejado, um outro tipo de pesticida, chamado Demand, já está sendo aplicado desde o início do ano para tentar conter a multiplicação dos escorpiões. Na próxima quinta-feira, o local também passará a ser pulverizado com um veneno mais potente, com ingrediente ativo microencapsulado. O trabalho será realizado por um funcionário da Emdurb orientado por profissionais do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), informou a assessoria.