09 de julho de 2026
Política

Prefeitura quer parque estadual urbano

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A alternativa para preservar em definitivo a floresta urbana da Água Comprida, na baixada do câmpus da Unesp Bauru, na margem direita da avenida Nações Unidas, no sentido centro-bairro, é tornar a área um parque estadual. Esta proposta será apresentada pela Prefeitura de Bauru ao secretário estadual do Meio Ambiente, Xico Graziano, na próxima sexta-feira, quando de sua visita à cidade (leia matéria abaixo).

O secretário Municipal do Meio Ambiente (Semma), Rodrigo Agostinho (PMDB), contou ontem que o assunto será discutido com o representante do Estado. “Nós vamos propor uma gestão compartilhada. O Estado faz a parte inicial de criar o parque, com a desapropriação da área. A prefeitura instala e mantém a operacionalização e manutenção do parque na área da mata da Unesp”, conta.

O convite para que o Estado participe da parceria tem motivação simples e, ao mesmo tempo, de amplo alcance: tentar sensibilizar o governo para a manutenção de 60 hectares de mata ainda cravada na área urbana bauruense e dispor do recurso inicial para a desapropriação, verba que a prefeitura não tem.

“Nosso problema não é instalar e manter o parque, mas criá-lo, porque não temos recursos para a desapropriação. Vamos tentar que o secretário sobrevoe a área no início de sua visita à cidade para que perceba a dimensão da importância da área e das conseqüências de sua eliminação para projeto de loteamento, como o pretendido pela iniciativa privada”, ressalta Agostinho.

Os proprietários da área, da Capital do Estado, esperam há algum tempo aprovação para lotear o local, o que implicaria na derrubada de pelo menos 80% do total hoje preservado de mata. A declaração de área de utilidade pública e de preservação pode garantir a manutenção do cerrado.

De outro lado, a única saída seria o governo estadual enviar para a Assembléia Legislativa (AL) projeto de lei par proteger áreas de cerrado como a de Bauru. O projeto está com o governo. Mas como a medida ainda está no âmbito da discussão política, o fato é que a partir de abril a mata pode sofrer intervenção, em razão do fim da proibição para desmatamento imposta pelo próprio governo.

Outra saída, também ainda em andamento, seria a definição da área como de preservação permanente junto ao projeto de revisão do Plano Diretor Participativo (PD), cujo texto tramita no Legislativo. “A definição de parque, com desapropriação, também eliminaria a insegurança do proprietário da área, que seria indenizado pela manutenção da mata, sem prejuízo de buscar outra gleba com o recurso para investimento em loteamento”, finaliza o secretário.