Neste ano, os bauruenses dispostos a manter a tradição católica de comer peixes durante a Quaresma e na Semana Santa estão tendo um incentivo a mais. Isso graças à acentuada queda do dólar frente ao real, que significou queda nos preços dos produtos importados, como os diversos tipos de bacalhau, vinhos e azeites. Em comparação a 2007, estes itens estão até 15% mais baratos.
Em uma das redes de supermercados consultadas pela reportagem, o gerente de compras Pedro Sérgio Baptista explica que a baixa da moeda americana, aliada ao aumento do poder de compra dos consumidores, fez com que houvesse uma demanda maior por produtos importados. “E ao comprarmos maiores quantidades das importadoras, aumenta também nosso poder de barganha. Com isso, conseguimos trabalhar com custos ainda mais baixos e vender a preços muito bons”, afirma.
No estabelecimento, a redução no preço do bacalhau, por exemplo, foi significativa em relação ao ano passado. Das variedades comercializadas pela rede, o quilo do Saite oscilou de R$ 22,00 para R$ 17,90, o Ling foi de R$ 39,00 para R$ 33,90 e o bacalhau do Porto passou de R$ 48,00 para R$ 37,90.
De acordo com Baptista, outros tipos de peixes, mais baratos, também são bastante procurados nesta época do ano: o quilo do chileno badejo é vendido a R$ 22,00; o salmão fresco, também chileno, sai por R$ 14,00; a argentina merluza custa R$ 9,90.
Já o filé de congrio rosa, considerada carne nobre vinda das águas geladas do Alasca, pode ser encontrado por R$ 7,98, o quilo.
Para este ano, a rede aposta em um crescimento de 40% nas vendas de pescados em comparação a 2007. “Nossa expectativa é vender 70 toneladas de peixes somente neste período”, revela. Segundo o gestor de compras, os preços serão mantidos até o final da Quaresma.
Para Maria Lúcia Pasquarelli, sócia-proprietária de uma peixaria em Bauru, a expectativa é de que os preços se mantenham inalterados até o final do ano. Em seu estabelecimento, ela oferece bacalhau fresco a R$ 14,80, uma opção aos tradicionais exemplares curtidos em sal. “É o que mais vende nessa época do ano, porque não tem sal, nem couro e espinho”, diz.
Ela acredita que o volume de vendas dobre até a chegada da Semana Santa. “Independentemente da época do ano, as pessoas estão procurando se alimentar de forma mais saudável, e o peixe é uma ótima pedida, principalmente se for grelhado ou assado”, diz.
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Vinhos e azeites
Além dos peixes, o consumidor mais exigente tem procurado também vinhos e azeites importados para incrementar as refeições que antecedem a Páscoa. Carlos Prando, sócio-proprietário de uma loja de produtos nacionais e importados, confirma a tese de que os preços baixos proporcionados pela economia estável resultaram em maior procura por esses itens.
“Os anos estão passando e o dólar não voltou a estourar, então está sendo possível manter os preços baixos”, revela. No estabelecimento, os azeites espanhóis e portugueses podem ser comprados a partir de R$ 13,90. Já o vinho português verde, ideal para acompanhar um prato à base de bacalhau, é comercializado a partir de R$ 19,90.
No entanto, Prando alerta que a tendência é de que os preços dos vinhos importados e nacionais subam em pouco tempo, em função do novo modelo de cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que está sendo implementado pelo governo paulista.
Por enquanto, o novo sistema, denominado Substituição Tributária (ST), afeta os setores de higiene pessoal, bebidas alcoólicas, perfumaria e medicamentos. Ele estabelece que o recolhimento do imposto referente a toda a cadeia produtiva, até o consumidor final, seja feito antecipadamente pela indústria.
“Este imposto está baseado em uma suposta margem de lucro do comércio, que o próprio governo imaginou, mas que é irreal. E, infelizmente, este tributo terá de ser repassado para o consumidor”, observa Prando.
Carlos Gomes Jr., gestor de compras de uma rede supermercadista da cidade, acredita que, a partir da segunda quinzena de março, a nova forma de tributação já estará incidindo sobre o preço dos produtos nas gôndolas. “Por enquanto estamos trabalhando com estoque, então a baixa de preços dos vinhos, em torno de 6%, ainda se mantém. Mas depois disso, os preços devem subir mais de 15%”, afirma.
No supermercado, os vinhos italianos estão sendo vendidos a partir de R$ 16,89; no ano passado custavam R$ 17,99. Já os vinhos chilenos mais vendidos estão custando R$ 16,90 – R$ 2,00 mais baratos que em 2007.