11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Excesso de cartões faz mal às finanças

Por Marcelo de Souza | Colaborou Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 4 min

Se antigamente ter cartão de crédito era sinônimo de status, hoje em dia isso não existe mais. Praticamente todos têm acesso ao “dinheiro de plástico”, até mais do que deveriam ou poderiam. Já os cartões de débito são itens obrigatórios para quem possui conta em banco: todos os correntistas possuem. As pessoas se renderam de tal forma às facilidades dos cartões de débito e crédito, que há casos de quem anda com vários deles na bolsa ou na carteira.

O que essas pessoas não sabem é que o excesso de cartões pode fazer mal à saúde financeira. Isso mesmo. Possuir mais de um cartão pode gerar problemas sérios nas finanças, ainda mais se a pessoa não souber controlar os gastos que faz em cada cartão. “Tem gente que paga a mesma compra em dois cartões diferentes e acaba se perdendo nas contas”, afirma o economista Wagner Ismanhoto.

De acordo com ele, quem possui muitos cartões acaba tendo dificuldades em manter as finanças no azul. Até porque, comenta, mesmo com os bancos e lojas afirmando que os cartões são gratuitos, o cliente/consumidor sempre paga alguma coisa. Pode até conseguir algum desconto, mas nada sai de graça. “Se você acreditar que banco ou loja dá alguma coisa de graça é o mesmo que acreditar em papai noel”, ressalta.

Ismanhoto destaca que quem possui dois ou três cartões de crédito, além da dificuldade de controle, tem o problema da anuidade. “Às vezes o banco libera, mas é só metade da anuidade, o restante você tem que pagar”, frisa. Segundo o economista, gerenciar um cartão já é difícil, ter dois ou três é mais complicado.

Rotativo

Outro problema de quem trabalha com muitos cartões de crédito é o crédito rotativo. Se a pessoa não tem o controle da situação, uma dívida pode se transformar em bola de neve, quer dizer, vai crescendo até que não haja mais possibilidade de pagar sem negociar com a administradora do cartão. “O ideal é você pagar o valor total da fatura, porque o crédito rotativo come 13% ao mês de juros”, explica.

O mesmo vale para cartões de débito. O ideal é que se tenha apenas uma conta corrente aberta, em um banco, para garantir um poder maior de negociação com a instituição e para não correr o risco de ter o nome inserido no Serasa por causa de dívidas “esquecidas”. “Tem gente que tem conta em 85 bancos, depois esquece e larga a conta parada. Essa conta parada vai caindo taxa, caindo taxa, e um dia o nome dele vai parar no Serasa e ele nem sabe porquê”, acrescenta.

Isso sem falar da questão da segurança. Como as pessoas quase não carregam dinheiro, os portadores de muitos cartões viraram o alvo favorito dos ladrões e já são muito comuns os chamados seqüestros- relâmpago, quando o ladrão obriga a vítima a sacar dinheiro nos caixas eletrônicos ou fornecer a senha do cartão para que ele mesmo efetue a transação. “Tenho amigos que desistiram até do cartão e só saem com uma nota de R$ 50,00”, comenta Ismanhoto.

Outro risco que se corre é andar com cartões mesmo que eles já não tenham validade. Para o economista, só o fato de possuir esses cartões já vai chamar a atenção. “Vai ser difícil o bandido acreditar que os cartões não valem nada, então é importante quebrar e se desfazer dos cartões inativos”, salienta.

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Cuidado com as senhas

Evitar a utilização de números seqüenciais, datas de nascimento ou de aniversário em senhas de cartões. A sugestão é do técnico em informática Douglas Rogério Ramos Macedo. Segundo ele, programas de computador descobrem de forma rápida e fácil os números utilizados pelos usuários.

“Há programas que monitoram sites de relacionamentos e de conversas instantâneas, por isso nunca deve-se enviar senhas por esses caminhos e e-mail, explica”. Ele lembra ainda que um novo tipo de golpe vem se tornando comum ultimamente. O esquema funciona com uma pessoa ligando no setor de recursos humanos de determinada empresa informando que vai enviar um presente para um funcionário e precisa de sua data da nascimento.

Para o técnico, as compras efetuadas através da Internet somente podem ser realizadas através de sites seguros. “Hoje quem pratica esse golpe não precisa mais do cartão, pois dá para tirar uma foto dele e, com o código de segurança no verso, consegue-se comprar em qualquer lugar. O cartão não precisa ser físico, pois via Internet compra-se tudo atualmente”. A dica é utilizar o menor número de cartões possível. “E nunca colocar a senha dentro da carteira”, avisa.