11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Do “Pagando bem, que mal tem” ao feminismo xiita


| Tempo de leitura: 2 min

Perguntada pela reportagem o que ela achava das críticas dirigidas a ela por desfilar no SPFW, com um modelo de vestido que não condizia com seu status de top model de fama mundial, a brasileiríssima Gisele Bündchen respondeu: “Pagando bem, que mal tem”. Com um cachê de 300.000 euros - se não me falha a memória -, a resposta não poderia ser outra.

Mas, o que tem a ver a resposta da nossa top, com o feminismo xiita? Explico: Na tribuna do leitor do dia 23 de fevereiro, a jovem estudante Ana Cláudia Palmeira Tripoloni discorreu sobre o uso da imagem da mulher nas propagandas de cerveja. Porém, na mesma tribuna, no dia 25 de fevereiro, o senhor Vanderlei Garcia Guerreiro discorda da missivista ao rebater suas considerações.

No entanto, senhor Vanderlei, apesar de respeitar a sua opinião, não concordo com suas colocações, senão vejamos: “Pagando bem, que mal tem”, a mulher usar trajes sumários e fazer poses sensuais se o resultado final for superar cada vez mais a venda de bebidas; “pagando bem, que mal tem”, a mulher apresentar-se em programas televisivos com decotes ousados e cruzadas de pernas fenomenais se o resultado final for um ponto a mais no ibope, “pagando bem, que mal tem”, a mulher posar nua em revistas masculinas, se o resultado final for uma tiragem fabulosa; “pagando bem, que mal tem”, o homem posar nu para as revistas direcionadas para o público feminino, se o resultado final for o faturamento; “pagando bem, que mal tem”, nossos jovens confinarem-se em realities shows expondo seus corpos bem definidos, mostrando que o esforço dispendido dentro das academias valeu a pena, mas, o tempo gasto nas carteiras escolares foi mal aproveitado, se o que importa é a audiência; “pagando bem, que mal tem”, a mulher desfilar completamente nua nas escolas de samba, para deleite daqueles que curtem, se a “escola” for campeã e, finalmente, o “pagando bem, que mal tem”, parece ser o que realmente interessa nos dias de hoje, onde os valores estão invertidos. Por tudo isso, penso que a jovem estudante está correta em suas colocações, e parece-me, que sob sua ótica, os valores hoje distorcidos poderão ainda, ter o seu real sentido colocado no seu devido lugar, se, nós, os pais e educadores de uma forma em geral, mostrarmos a eles, os jovens, que nem tudo deve ser visto pelo ângulo do “pagando bem, que mal tem”.

Rodrigo Bianchi Lazari