Caracas - Depois de mais de seis anos de cativeiro, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) entregaram ontem quatro ex-parlamentares a uma comitiva liderada pelo governo venezuelano e pela senadora oposicionista Piedad Córdoba.
No final da tarde, eles desembarcaram no aeroporto de Caracas, onde foram recebidos na pista por familiares. “Não sei como consegui sobreviver, mas estou feliz de estar aqui. Suportei um enfarte cardíaco, suportei três comas diabéticos, suportei uma parada dos rins. Tive todas as doenças que o trópico colombiano possa gerar, mas aqui estou com vontade de viver, com vontade de lutar”, disse o ex-senador Luis Eladio Pérez, no aeroporto, em conversa gravada pela TV estatal VTV - apenas os meios de comunicação oficiais tiveram acesso aos libertados.
“Eu sempre disse que eles são a minha vida inteira e o meu amor infinito. Voltei a viver, estava morta em vida. Obrigado ao presidente Hugo Chávez e à senadora Córdoba, a Deus e à vida”, disse a ex-deputada Gloria Polanco, após reencontrar seus três filhos. Tanto Polanco quanto Pérez enfatizaram que a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada há seis anos, está em péssimas condições.
Em seguida, Polanco, Pérez, Orlando Beltrán, Jorge Eduardo Gechem e seus familiares seguiram rumo ao Palácio Miraflores, onde se encontrariam nesta noite com Chávez.
Diferentemente da libertação de Clara Rojas e Consuelo González, em 10 de janeiro, o presidente venezuelano teve uma participação mais discreta, delegando aos seus ministros o anúncio de informações sobre a operação e a libertação.
Nas imagens da entrega, realizada na Amazônia colombiana e transmitidas com exclusividade pela TV chavista Telesur, quase todos aparentavam estar bem de saúde, à exceção do ex-senador Gechem, magro e envelhecido em comparação com a época em que foi seqüestrado, há mais de seis anos.