Existe um certo preconceito com Portugal por pessoas acostumadas ao círculo chique europeu que passa, claro, por Paris, mas é aí que está o charme de Lisboa. A Capital, apesar de ter entrado para a Comunidade Européia, mantém seu estilo. Está na dela...
Ruas com transporte meio caótico, casas com fachadas de azulejo que esperam revitalização, ruas com paralelepípedos, as famosas tascas onde bolinho de bacalhau e cerveja Sagres geladinha são servidas. Ora, pois pois!!! Coloque um sapato bem confortável e parta para conhecer a Baixa e o Centro Histórico, a pé.
É muito fácil andar por Lisboa. Isso pelo fato de ter o tamanho e a população certa – cerca de 620 mil habitantes – e ser uma das poucas capitais planejadas do mundo – depois do terremoto de 1755, os bairros da Baixa e da Avenida foram reconstruídos pelo Marquês do Pombal.
A cidade ganhou nesse trecho novos prédios em estilo neoclássico que passaram a ligar a Praça do Comércio (que tem um arco triunfal) à do Rossio. E surgiram pelas praças que serviam como “respiradouros urbanos”, incluindo a do Rossio, do Comércio, da Figueira e dos Restauradores.
A praça do Rossio pode servir como início para seu tour a pé, já que é cercada por várias ruelas onde circulam os bondes elétricos amarelos, ônibus e carros, o comércio é agitado e há excelentes restaurantes freqüentados, no passado, por gente famosa.
Prossiga até a praça do Comércio, com portal de arcadas pintadas de amarelo e que no passado servia para o desembarque dos navegadores, não se esquecendo da rua Augusta. Siga até a praça dos Restauradores, suba a avenida da Liberdade – com lojas de grifes, caríssimas -, fotografe a estátua do Marquês do Pombal na praça do mesmo nome e termine a caminhada no parque Eduardo VII.
A praça do Comércio tem uma área de 192 metros por 177 metros, abriga a estátua eqüestre do rei José I e abrigou, por quatro séculos, o palácio real, destruído no terremoto de 1755.
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O Chiado e o Santa Justa
Lá de baixo, da Baixa, é possível seguir para outros bairros históricos: Chiado, Bairro Alto (onde há imperdíveis casas de fado como as Arcadas do Faia) e Zona do Carmo. Para esse último, use o Elevador Santa Justa (ingressos a 2,6 euros).
O elevador de 32 metros de altura foi construído por Raoul du Ponsard, francês ligado profissionalmente a Gustav Eiffel, da torre famosa da Cidade Luz. O convento, a igreja e o Largo do Carmo, que foi palco da Revolução dos Cravos, em 1974, precisam um olhar mais atento.
Retorne ao elevador e siga pela rua do Carmo em direção ao Bairro Alto e ao Chiado. Lojas com preços salgados para quem vive de real... mas vale dar uma espiada para saber como o euro vale e nosso dinheirinho...
O vizinho, Chiado, é ainda mais sofisticado. Lugar de gente com grana para gastar e intelectuais. Pare no Café A Brasileira (Rua Garrett, 120;00-351-21-346-9541). Aberto em 1905, era o preferido de Fernando Pessoa (a estátua dele, sentadinho, fica bem em frente). Abre das 8h às 22h e oferece mesas internas e outras na calçada.
Nas imediações há boas livrarias, como a filial da Bertrand (rua Garret, 73-75; telefone para mais informações: 00-351-21-346-8646).
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O Castelo de São Jorge
Lá de baixo a visão do Castelo de São Jorge, emoldurando a cidade, é linda. De perto, mais ainda. Tudo começou ali (www.castelosaojorge.egeac.pt;00-351-21-880-0620), entradas a 5 euros).
Foi construído pelos muçulmanos – domínio mouro – entre os séculos 10 e 11 e reconquistado pelo rei Afonso Henriques, em 1147, que fez desta cidadela a residência dos reis portugueses. Ficou abandonado por volta de 1511, sendo depois restaurado, no final dos anos 30, durante a ditadura de António Salazar.
O bairro de Santa Cruz fica dentro das muralhas e bem perto o de Alfama, com outras casas de fado, sobradinhos com roupas estendidas no varal, homens jogando gamão na rua e mirantes para se ver Lisboa inteira, iluminada, com o Tejo a lhe emoldurar. Não se esqueça das fotos entre torres, pátios, lojas e galerias, com Lisboa, lá ao fundo.
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Padrão dos Descobrimentos
Antes de se entregar aos prazeres dos pastéis de Belém, atravesse a rua numa caminhada que não passa de cinco minutos e visite, às margens do rio Tejo, numa grande praça arborizada, o Padrão do Descobrimento.
O monumento, também branco, muito bem conservado e limpo, foi inaugurado em 1960, para lembrar os 500 anos da morte do Infante Dom Henrique “O Navegador”, um dos maiores navegadores da história.
Há estacionamento para carros, mas cuidado. Dizem que muitos bobearam e em manobras sem cuidado já mergulharam no rio.
Bem ao lado, como se fosse um grande tapete de mármore no chão, está a Rosa-dos-Ventos, representação bem bolada das terras conquistadas por Vasco da Gama, Cabral e outros grandes homens do mar.
O Brasil está ali, bem retratado, assim como Pedro Álvares Cabral, nosso descobridor, que tem estátua em sua homenagem.
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O Castelo de Sintra
Perto de Lisboa fica Sintra com seus encantadores castelos – o Nacional e o da Pena - e a Quinta da Regaleira, onde a Globo gravou a minissérie “Os Maias”. A viagem até Sintra é mágica. Pode ser feita pela estrada que margeia Estoril ou subindo-se a Serra de Sintra.
A cidade é dividida em três partes: a Vila, Estefânia e São Pedro. O “fervo” da vila é o Centro, em torno do Palácio nacional, que, como os demais castelos medievais portugueses, teve como dono os mouros.
A maior parte dos castelos foi construída no século 14 por Dom João I. No século 19, ele foi transformado em residência de verão. Os guias informam que as influências mouras estão nos detalhes da porta da Sala das Sereias e na capela.
Já o Palácio da Pena, lindo, fica no ponto mais alto da Serra de Sintra e é uma mistura de estilos arquitetônicos. Foi construído para Dom Fernando II e transformou-se em museu em1910. Visite os quartos onde a realeza viveu.
Já a história da Quinta da Regaleira tem brasileiro no pedaço. Um dos mais surpreendentes monumentos da Serra de Sintra foi construído entre 1904 e 1910 por António Augusto Carvalho Monteiro, que fez fortuna no Brasil. Homem de espírito científico, vastíssima cultura e rara sensibilidade, ele criou a Quinta como um livro de pedra escrito de acordo com a cosmologia, um projeto onírico e espiritualista.
A arquitetura e a arte do palácio, da capela e das demais construções, foram cenicamente concebidas como um jardim do Éden, revelando a predominância dos estilos neomanuelino e renascentista. Tudo milimetricamente pensado. O jardim, por exemplo, representa o microcosmo e uma fila de estátuas, deuses mitológicos, misturando magia e mistério.
Na Quinta da Regaleira, o Paraíso convive com o Inferno e o visitante pode fazer uma viagem iniciática. Para isso, deve visitar desde frondosos jardins até grutas, lagos e torres. Na tal viagem, em que a consciência passa por grandes epopéias, causa sensação a caminhada por cavernas escuras, em que o medo tem de ser vencido para se chegar à nova etapa. Na verdade, trata-se de uma poderosa e fascinante experiência estética, com fortes conotações esotéricas e alquímicas.
Mesmo quem tem os pés no chão e acredita que essas crendices são coisa de maluco vai se maravilhar com a visita, que precisa ser monitorada para ter o sabor completo. Informações e reservas pelo telefone (00—351-21) 910-6656.