10 de julho de 2026
Polícia

Após quatro horas, polícia localiza bebê seqüestrado em maternidade

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Após permanecer cerca de quatro horas seqüestrado, um bebê com poucas horas de vida foi localizado ontem à noite, numa casa do Parque Jaraguá, em Bauru. O menino, nascido aproximadamente aos 40 minutos de ontem na Maternidade Santa Isabel, foi pivô de um caso que mobilizou a polícia de Bauru, provocou desespero, exaltou ânimos e revelou dramas familiares.

Com 2,8 quilos e 47 centímetros, ele foi tirado dos pais pela dona-de-casa Rosa Maria Floriano, 31 anos, que o levou para a própria residência, situada na quadra 1 da rua Antonio Martins. Vítima de uma eventual gravidez psicológica, a suspeita é que ela tenha conseguido sair com o bebê da maternidade ao colocá-lo dentro de uma sacola.

Antes, no entanto, teria convencido a mãe do recém-nascido, Indaiá Souza, 16 anos, moradora de Agudos, a tomar banho. Teria prometido que, enquanto ela fizesse a higiene pessoal, faria a criança dormir. O bebê teria acabado de mamar. Coincidentemente, naquele momento, a adolescente estaria sem acompanhante, já que a mãe e o marido dela teriam se ausentado.

Quando terminou o banho, Indaiá não encontrou mais o filho batizado como Carlos Daniel Moraes, nem Rosa, cujo apelido é Dedé. O desespero estava instalado. Dedé teria saído pela porta da frente da maternidade, pela rua Araújo Leite. Foi vista, por exemplo, por Maria Lúcia de Paula, que também acompanhava a nora e o netinho.

“Ela deu tchau e foi embora a pé. Minha nora precisava sair do quarto e ela se ofereceu para ficar com o bebê, mas ela não quis. Desde cedo ela estava por aí”, comenta. Dedé teria alegado na maternidade ser acompanhante de uma prima. Teria, inclusive, passado a noite no banco da frente da maternidade.

Informações

Durante o dia, Dedé conversou com várias mães, inclusive com a da própria Indaiá, conforme relatou o pai do bebê seqüestrado, Daniel Teixeira de Moraes, 22 anos. Ao se apresentar nestas ocasiões, teria fornecido o nome correto e o bairro onde morava. Numa bolsa que, segundo funcionários da maternidade, deixava no corredor, ela levava uma manta bege, uma roupa de bebê e uma blusa de adulto.

“Acho que ela escolheu a criança. Conversou com a minha filha também, mas o bebê dela nasceu muito grande”, comenta uma outra avó, Lúcia Helena Silva, indicando que ele não caberia na sacola. A notícia do seqüestro exaltou os ânimos de mães e parentes de bebês nascidos na maternidade. Também desestabilizou funcionários que, como a família do recém-nascido, choraram com o retorno da criança. Em bom estado de saúde, Carlos e a mãe devem receber alta hoje pela manhã.

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Ação policial

Assim que o desaparecimento do bebê foi confirmado, policiais militares e civis compareceram em peso na Maternidade Santa Isabel. O pai do recém-nascido, Daniel Teixeira de Moraes, chegou a acompanhar o delegado Ismael Cavalieri, do 3º DP, a vários pontos de ônibus e ao Terminal Rodoviário. Em vão.

Evangélico, o auxiliar de pedreiro informou à reportagem que acreditava na localização do primogênito, enquanto aguardava no Plantão da Polícia Civil. Para fazer a busca e registrar a ocorrência, deixou a mulher aos prantos na maternidade. Era quase 21h.

Praticamente naquele momento, o recém-nascido era encontrado, depois de ter sido levado por volta das 16h30. Rosa Maria Floriano, a Dedé, que estava com o recém-nascido, foi levada à delegacia. Em depoimento, afirmou categoricamente que o bebê é filho dela. “Ela nega ter roubado qualquer criança e disse que foi até a maternidade, deu à luz o bebê e voltou para casa”, afirma Ronaldo Divino, delegado que atendeu a ocorrência.

Dedé foi autuada em flagrante por subtração de incapaz. Presa, ontem à noite seria encaminhada para a cadeia pública de Avaí.

Até ontem à noite, a polícia ainda não informava se a maternidade também será responsabilizada pela ocorrência. A direção da instituição preferiu não comentar o assunto. Ontem, a suposta falta de um cadastro de visitantes foi criticada pela família das gestantes encaminhadas para o local.

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Como foi

• Mulher teria dito na maternidade que acompanharia uma prima que havia dado à luz. Entrou no quarto da mãe e teria se oferecido para cuidar do bebê da adolescente, depois de convencê-la a tomar banho.

• Quando a adolescente saiu do banho, não encontrou o bebê, nem a mulher. Supostamente com a criança numa sacola, a mulher teria saído da maternidade pela porta da frente e vai para sua casa, no Parque Jaraguá.

• Com base na descrição física feita pela adolescente, outros usuários da maternidade e uma denúncia, a polícia chega à casa de Rosa Maria Floriano, onde a criança foi localizada.