Cerca de 43,7 milhões de brasileiros tiveram uma boa notícia na última semana. Um acordo entre o governo federal e centrais sindicais fechado no ano passado possibilitou o aumento do salário mínimo a partir de hoje. O valor passa de R$ 380,00 para R$ 415,00, ou seja, ganho de 9,21%, sem descontar a inflação. Foi um dos menores reajustes dos últimos anos e o trabalhador terá que se contentar com apenas R$ 35,00 a mais no bolso. Mas afinal de contas, o que dá para comprar com esse valor?
A reportagem do Jornal da Cidade sentiu na pele como uma dona de casa enfrenta dificuldades na hora de comprar produtos com o menor valor possível no bolso e foi a um supermercado ontem. Diante da infinidade de produtos oferecidos pelo estabelecimento, a prioridade foi escolher produtos de primeira necessidade, como higiene pessoal, alimentação e limpeza. Nada de supérfluos.
Obviamente, a tarefa não era das mais fáceis. Se o consumidor não tiver o hábito de pesquisar preços, um pacote com cinco quilos de arroz pode custar até R$ 10,00, ou seja, praticamente um terço do valor disponível. Com o orçamento apertado, decidimos pela opção mais viável, cujo preço era de R$ 4,99.
O desafio teve início já no setor de higiene pessoal do supermercado. Compramos um pacote com quatro unidades de papel higiênico (R$ 1,84), um sabonete (R$ 0,42), uma pasta de dentes (R$ 0,89) e uma escova, a R$ 1,09. Com a política de redução de custos, as marcas dos produtos citados não eram das mais famosas, daquelas que o consumidor vê com freqüência em anúncios de jornal e TV. Itens como desodorante e xampu ficaram de fora da lista.
Na área de limpeza, foram adquiridos um detergente por R$ 0,69, um sabão em pó de um quilo por R$ 2,99, uma palha de aço por R$ 1,59 e um desinfetante de 300 ml por R$ 1,43.O mesmo produto poderia ser encontrado por R$ 4,33.
No setor de alimentos, foram adquiridos um quilo de feijão (R$ 3,49), cinco quilos de arroz (R$ 4,99), um quilo de açúcar (R$ 0,65), um pacote de café (R$ 3,59), uma lata de óleo (R$ 3,19) e um pacote de sal (R$ 0,69). Não fosse o auxílio de um funcionário do estabelecimento, o gasto poderia ser maior. Isso porque é mais vantajoso para o consumidor adquirir, por exemplo, cinco quilos de açúcar vendidos separadamente em comparação à versão de cinco quilos. São centavos que fazem diferença. Conseguimos comprar, ainda, 320 gramas de coxão duro a R$ 2,81 e meio quilo de batata a R$ 0,66.
Se a compra for feita em dias de “sacolão” promovido pelos supermercados, geralmente às terças e quartas-feiras (quando itens do setor de hortifruti entram em promoção), ainda seria possível comprar um quilo de tomate por R$ 0,79, um quilo de laranja por R$ 0,89, um quilo de mandioca também por R$ 0,89 e um pedaço de um quilo de melancia por R$ 0,59. Mas atenção: estes são preços promocionais.
O valor após a aquisição desses produtos soma R$ 34,17. Com o que sobrou, dá para comprar um pacote de biscoito de maisena ou água e sal.