09 de julho de 2026
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DST: ainda vivemos esse problema?


| Tempo de leitura: 3 min

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) se transmitem de pessoa para pessoa através da relação sexual, do contato íntimo. Outras formas de contato são raras, ou seja: através de utensílios pessoais, tais como: toalhas, lençóis, roupas etc, é raríssimo infectar-se, pois a maioria dos micróbios causadores de DST não resiste longo tempo fora de seus ambientes e são mortos facilmente por detergentes comuns. Convém, também, esclarecer que sentar em banco quente de ônibus ou pisar no chão gelado, após relação sexual, definitivamente não causa doença sexual.

Os principais micróbios causadores de DST incluem: bactérias, fungos, vírus, protozoários e também alguns artrópodes.

Essas doenças são mais freqüentes entre os adolescentes e adultos jovens, pois cerca de 65% de todos os casos de DST ocorrem em pessoas na faixa de 25 anos de idade. Existe um grupo denominado de alto risco, constituído por estudantes, vendedores, viajantes, população portuária, prostitutas e homossexuais. A causa reside, principalmente, na multiplicidade de parceiros que essas pessoas geralmente possuem.

Recentemente, o aparecimento da infecção pelo HIV e da AIDS obscureceu outras DST. Entretanto, a AIDS ainda é relativamente incomum nos países em desenvolvimento comparada a outras DST, apesar do imenso impacto como uma doença infecciosa nova e altamente letal para a qual, até o momento, não existe tratamento satisfatório nem vacina.

As DST podem ser divididas, sob ponto de vista didático, em corrimentos genitais, lesões genitais e verrugas genitais e continuam existindo de maneira preocupante para as autoridades em Saúde Pública, apesar de serem conhecidas desde os tempos mais remotos, possuírem diagnóstico laboratorial muitas vezes de fácil execução e existirem esquemas de tratamento eficazes.

As DST englobam cerca de 30 doenças, possíveis de serem transmitidas via contato sexual, e incluem: as chamadas doenças venéreas, ou doenças essencialmente transmitidas por contato sexual, tais como gonorréia, sífilis, cancro mole, linfogranuloma venéreo e granuloma inguinal; as doenças freqüentemente transmitidas por contato sexual, como uretrites não-gonocócicas, herpes simples genital, condiloma acuminado, candidíase genital, tricomoníase, hepatites virais, e pediculose púbica; e as demais, cuja transmissão é eventualmente por contato sexual: molusco contagioso, escabiose, shigelose, amebíase, entre outras.

A incidência dessas doenças está aumentando e os fatores que explicam esse fenômeno, são: a diminuição de campanhas educativas, o que leva a uma desinformação total sobre o assunto; a automedicação indicada por pessoas não qualificadas; a disseminação da prática sexual de possuir parceiros múltiplos; o uso de métodos anticoncepcionais sem controle médico, que leva uma pessoa a aumentar sua atividade sexual e também a proliferação de anúncios comerciais na televisão e em revistas, que exploram o corpo e a libido, incrementando o desejo de relação sexual; o menor temor do público devido à facilidade de diagnóstico e tratamento e, finalmente, a dificuldade de diagnóstico e tratamento adequado dos parceiros, devido à ausência de educação sexual e presença de preconceitos.

Os melhores aliados na prevenção das DST são o conhecimento, a informação e o uso de preservativo de barreira (camisinha masculina e feminina). É bom lembrar que as DST não são reciprocamente excludentes, e a possibilidade de infecção múltipla deve sempre ser considerada. A prática de sexo seguro é fundamental para a prevenção destas doenças.

Para finalizar, quero lembrar algumas regras muito importantes: procure sempre um médico para o diagnóstico e tratamento corretos das DST. As complicações podem levar a esterilidade, doença inflamatória pélvica, cegueira, doença mental e até a morte. Não tenha vergonha de procurar ajuda, pois estas doenças podem acometer a todos nós. Não procure um amigo ou o balconista da farmácia. O prejudicado será você.

Avise o(s) parceiro(s) caso você esteja com uma feridinha ou corrimento nos órgãos genitais. Peça também a ele que procure um médico.

O uso da camisinha, a higiene adequada dos órgãos genitais (antes e após as relações sexuais, água e sabão nos genitais) e a redução do número de parceiros são atitudes inteligentes e extremamente simples que todos nós devemos adotar para termos uma vida feliz e saudável.

O autor, Waldemar Francisco, é professor livre docente – ICB/USP, & Prof. Resp. na Disciplina DST - Curso PG – Microbiologia - FIB-Bauru